O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou, sexta-feira, que aguarda uma visita de Estado à Rússia do homólogo chinês, entre os meses de Setembro e Dezembro de 2023, com quem deseja consolidar um acordo para aprofundar a cooperação militar bilateral entre os dois países.

31/12/2022   07H20

Presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladmir Putin, reafirmaram os laços políticos

Numa declaração de introdução de cerca de oito minutos, numa reunião em videoconferência entre os dois líderes, citada pela agência Reuters, Vladimir Putin referiu que as relações da Rússia e da China são fundamentais e estão a aumentar como um factor estabilizador e, por isso, pretende aprofundar a cooperação militar.

O Kremlin disse que o objectivo é discutir “problemas regionais”, no âmbito da parceria estratégica entre as duas potências. “No contexto de pressões e provocações sem precedentes do Ocidente, estamos a defender as nossas posições de princípio”, disse Putin, descrevendo as actuais relações com a China como as “melhores da história”.

O líder russo disse ainda que estas “resistem dignamente a todos os testes, demonstrando maturidade e estabilidade e continuam a expandir-se dinamicamente”.

A rejeição da China em condenar a guerra na Ucrânia e de impor sanções à Rússia, como outros países, tem estreitado ainda mais os laços entre Pequim e Moscovo. Contudo, a administração de Pequim tem rejeitado as ameaças veladas feitas por Putin sobre o uso de armas nucleares em resposta ao auxílio militar prestado à Ucrânia por países ocidentais.

Antes da guerra na Ucrânia, Putin e Xi reuniram-se em Pequim, em 04 de Fevereiro, e divulgaram uma declaração conjunta em que denunciaram a influência dos Estados Unidos e o papel das alianças militares ocidentais na Europa e na Ásia como desestabilizadores.

Nos dias seguintes, a diplomacia chinesa acusou os Estados Unidos de inflamarem a ameaça de guerra com declarações sobre a iminência de uma invasão da Ucrânia pelas tropas russas.

Ao contrário do Irão e da Coreia do Norte, que de acordo com os Estados Unidos prestaram ajuda militar à Rússia no conflito da Ucrânia, Pequim evitou tal envolvimento.

Na abertura da reunião com o Presidente Xi Jinping, Putin disse que as relações entre Moscovo e Pequim são um “modelo de cooperação entre grandes potências no século XXI”. “Vemos da mesma forma as causas, o progresso e a lógica das transformações do cenário geopolítico global”, acrescentou.

O líder russo destacou que um lugar “especial” nas relações é ocupado pela cooperação técnico-militar entre os dois países, que “contribui para garantir a segurança dos dois Estados e manter a estabilidade em regiões-chave”.

“O nosso objectivo é fortalecer a cooperação entre as Forças Armadas russas e chinesas”, disse Putin, que manifestou intenção de se encontrar pessoalmente com Xi nos próximos meses.

“Esperamos por si, caro senhor Presidente, querido amigo, na próxima Primavera numa visita de Estado a Moscovo. Isso demonstraria ao mundo a proximidade das relações russo-chinesas”, aclarou.

Sobre as relações económicas bilaterais, o Presidente Putin disse que apesar das “restrições ilegítimas e chantagem directa de alguns países ocidentais”, Rússia e China conseguiram garantir níveis recordes de trocas comerciais.

Por sua vez, o líder Xi Jinping afirmou que a China está “pronta” para aumentar a cooperação estratégica com a Rússia. Recorde-se que o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela agência estatal russa TASS, afirmou que os dois líderes iriam reunir-se hoje (ontem), com uma “primeira troca de comentários de boas-vindas pública” e, de seguida, “a conversa continuará à porta fechada, porque o equipamento e as comunicações especiais permitem que seja feita”.

O porta-voz disse que Putin e Xi falarão sobre “as relações bilaterais russo-chinesas” e referiu que o volume de negócios entre Moscovo e Pequim está “a crescer rapidamente”.

Disse também que os dois líderes irão “trocar opiniões sobre os problemas regionais mais agudos”, tanto os que estão “mais próximos” da Rússia, como os que “estão mais próximos da China”.

“No espírito de uma verdadeira parceria estratégica, os nossos líderes irão discutir estes problemas”, acrescentou, sem mais pormenores.

Pequim tem novo ministro dos Negócios Estrangeiros

O actual embaixador chinês nos Estados Unidos, Qin Gang, foi nomeado novo ministro dos Negócios Estrangeiros da China, substituindo Wang Yi, que deve assumir o principal cargo diplomático nas estruturas do Partido Comunista.

A mudança, anunciada pela rádio oficial, foi acordada na Comissão Permanente do Congresso Nacional.

No mais recente congresso do Partido Comunista Chinês, Wang, de 69 anos, foi apontado como membro da direcção. Qin, por sua vez, chega ao cargo após um período à frente da Embaixada da China em Washington, cargo para o qual foi nomeado em Julho de 2021.

Nesse período, a política de Pequim em relação a Washington oscilou entre críticas frontais e tentativas de distanciamento.

O novo chefe da diplomacia chinesa, que no passado foi porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, chegou a distanciar-se da linha oficial de Pequim, quando, por exemplo, afastou receios de uma potencial guerra com Taiwan ou quando admitiu que o seu Governo poderia ter feito mais para impedir a Rússia de entrar em guerra com a Ucrânia.

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