A Sonangol considera “positivas” as acções desenvolvidas em 2022, um ano em que a companhia acentuou as acções para atingir o objectivo de elevar a produção operada a 10 por cento do total produzido no país, declarou o presidente do Conselho de Administração.

31/12/2022   08H10

Sonangol persegue produção operada alta para passar a ser um actor de maior realce na indústria petrolífera

Sebastião Gaspar Martins proferiu estas declarações ao programa “Ngol”, transmitido quinta-feira no Canal A da RNA, afirmando que, no ano em vias de terminar, a companhia  foi capaz “de materializar um conjunto de acções dentro dos nossos objectivos estratégicos traçados em toda a cadeia de valor das seis Unidades de Negócio”, algo favorecido pelo Programa de Regeneração que era aplicado desde 2018. 

O líder da petrolífera realçou as acções ocorridas a nível da exploração e produção, um domínio em que impera o objectivo de atingir a meta de 10 por cento da produção operada e em que anunciou terem sido identificados projectos que vão ser materializados.

“Em 2022, tornamos esses objectivos ainda mais evidentes, como a capacidade que temos de possuir um portfólio de projectos de exploração e produção que nos vai levar a esse desiderato”, afirmou, em declarações de balanço sobre as actividades desenvolvidas pela Sonangol ao longo do ano.

Num desses desenvolvimentos, a Sonangol decidiu, para 2023, fazer o primeiro poço numa das concessões petrolíferas detidas em regime de operadora, indicou Sebastião Gaspar Martins, apontando o Bloco 11 ou o 12, ou, então, “outros blocos no mar profundo”.

O alcance de 10 por cento da produção nacional operada, notou, ajuda a fazer da Sonangol um verdadeiro actor de realce na indústria petrolífera angolana e significa a participação na  actividade operacional, mas não quer que os nossos direitos ao petróleo actualmente detidos não sejam satisfatórios.

“Estamos com uma média de produção de cerca de 200 mil barris de óleo por dia. O que é importante é que, como empresa nacional, a Sonangol possua também certa influência na produção total do país, para que Angola, em qualquer das circunstâncias, tenha sempre alternativa. Portanto, gostaríamos de ser também um grande jogador nesta produção de Angola, daí que os 10 por cento representam para nós e para os accionistas uma grande satisfação”, frisou.

Como parte da evolução positiva, Sebastião Gaspar Martins apontou os projectos no domínio da refinação, com incidência sobre a unidade da “platforming” instalada na Refinaria de Luanda, a qual permitiu que, hoje, a Sonangol  produza três vezes mais gasolina do que nas condições anteriores.

Além disso, a companhia mantém três novos projectos de refinação, dois com parceiros internacionais, a Gemcorp e a Quantum, em Cabinda e Soyo, respectivamente, e um outro, a Refinaria do Lobito, que sendo detido exclusivamente pela Sonangol, não impede que a companhia venha a ter parceiros. “A responsabilidade actual é nossa e temos a certeza de que vamos levá-lo até ao fim”, garantiu o responsável.

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol destacou, por outro lado, os progressos conseguidos no domínio da Distribuição, com a companhia a assegurar o desafio de deter grande capacidade de distribuição. “Neste momento sentimos um certo conforto, porque fomos capazes de garantir uma distribuição mais ou menos tranquila em todas  as áreas do país”.

De acordo com o responsável, “com um ou outro percalço”, pode-se afirmar que “a distribuição foi assegurada tanto em refinados como até com o gás doméstico, que é sempre uma preocupação para as nossas populações”.

Os aspectos cruciais dessa evolução assentam, agora, nos projectos em marcha “com um grau de avanço considerável para o aumento, em 580 mil metros cúbicos”, da capacidade de armazenamento. “Estamos a fazê-lo com muito esforço, com fundos nossos, mas a levá-los a cabo e pensamos que, em 2023, devemos ter esse projecto concluído”, disse.

Negócios não-nucleares

Ao definir o ano, Sebastião Gaspar Martins também considerou ter sido “muito bom”, pela possibilidade de mostrar que, até nas áreas não nucleares,  “estamos a trabalhar com dedicação”.

Nessa acepção, apontou a área de suporte logístico, onde a companhia oferece, neste momento, helicópteros a servirem as operações petrolíferas no offshore para operadores de renome. “Falamos de parceiros com quem temos actividade e são os helicópteros da Sonair que garantem o suporte às suas operações”, disse.

Acrescentou, nessa mesma perspectiva, que,  dentro de pouco tempo, a companhia vai substituir algumas das embarcações obsoletas da frota de Shipping, por dois navios Suezmax em construção na Coreia do Sul.

 Alienação planeada de activos concluída no próximo ano

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol anunciou para 2023, nas declarações ao programa Ngol, a probabilidade  do desfecho do processo de alienação de activos de exploração e produção de petróleo iniciado no ano em vias de terminar.

Essas alienações recaem sobre activos na carteira da petrolífera angolana que não estavam equilibrados com a capacidade da companhia de gerar receitas e suportar despesas, mas, Sebastião Gaspar Martins disse acreditar que, em 2023, este processo iniciado no ano em curso “terá desfecho”.

O gestor proferiu estas declarações para reafirmar a decisão da companhia de alienar uma série de activos que eram considerados não nucleares e não se enquadravam no objecto social da Sonangol.

 Além dos activos upstream, Sebastião Gaspar Martins afirmou que a lista da alienação de activos não nucleares incluiu, em 2022, o hotel HCTA, “que hoje está no activo, depois de um longo período de paralisação”.

Igualmente uma série de outras unidades hoteleiras no país e participações que se considera  poderem passar para outros parceiros, entre os quais, activos como a Sonasurf ou Sonatide, com as receitas geradas a servirem para serem injectadas noutro conjunto de actividades.

A companhia, afirmou, está a destinar investimentos à pesquisa de hidrocarbonetos para travar o processo de declínio da produção, algo favorecido pelo ambiente legal e de incentivos que vão permitir a reversão do declínio da produção angolana de crude.

“Há investimento feito e vai continuar a ser feito, porque criaram-se condições, quer de carácter legal como de incentivos que permitem que haja investimentos para que essa tendência seja invertida, ou, pelo menos, uma manutenção de um declínio que não permita que a produção venha cá para baixo”, disse.

 “A Sonangol está envolvida neste processo de investimento em exploração e produção e o portfólio de activos que temos é prova disso”, indicou o responsável.

Estas últimas declarações foram proferidas em resposta a uma pergunta sobre estimativas de uma perda da produção angolana de 20 por cento por questões ligadas ao investimento, ao que o presidente do Conselho de Administração respondeu que um tal declínio pode ser revertido com os investimentos ocorridos depois das reformas do sector petrolífero, a partir de 2018.

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