A Argentina sagrou-se, este domingo, tricampeã do Mundo, ao bater a França por 4-2 nas grandes penalidades. Os argentinos desempatam com os franceses e chegam ao terceiro título, depois de 1978 e 1986.

19/12/2022  18H14

Num jogo impróprio para cardíacos, as duas selecções empataram 3-3 nos 120 minutos. A Argentina esteve a vencer por 2-0 até aos 80 minutos, com golos de Messi e Di Maria, Mbappé bisou aos 80 e 82. No prolongamento, Messi fez o 3-2, Mbappé o hat-trick, de penálti, aos 118 e atirou o jogo para as grandes penalidades.

Era a final do desempate. De Messi contra Mbappé. Europa contra América do Sul. França e Argentina, cada uma com duas Copas do Mundo, à procura do terceiro Mundial. Depois da cerimónia de encerramento, os heróis entraram para a quadra verde do Lusail Stadium para que uma selecção possa ostentar, até 2026, o estatuto de campeã do Mundo.

Pela sua caminhada e pela forma como venceu os adversários, a França entrou em cena como favorita, alicerçada num Mbappé imparável, num Giroud goleador, num Griezmann ao seu melhor nível e numa equipa onde abundam individualidades. Em caso de triunfo, Mbappé podia tornar-se bicampeão do Mundo com apenas 23 anos.

Na Argentina era a genialidade de Messi quem alimentava as esperanças de um país à espera de mergulhar na euforia ou na de-pressão. A surpreendente derrota logo na ronda inaugural diante da Arábia Saudita fez tremer a selecção das Pampas, mas Lionel Scaloni conseguiu ajustar a equipa à volta de Messi para caminhar até a final, no meio de muito sofrimento.

As entradas dos jovens Enzo Fernandes (Benfica) e Julian Alvarez (Manchester City), dois ex-River Plate, ajudou a estabilizar a equipa. Curiosidade para ver se Messi despedia dos Mundiais com o tão sonhado título, ele que se tornou no jogador com mais jogos em Mundiais de futebol (26), ultrapassando o alemão Matthaus.

As dificuldades que a França evidenciou nas meias-finais diante da Inglaterra foram muito bem exploradas pela Argentina. Scaloni parece ter preparado a final melhor que Deschamps porque os sul-americanos tomaram conta do jogo e fizeram uma grande primeira parte, coroada com dois golos. A variabilidade táctica, com muita mobilidade dos homens da frente, mas também dos médios e a genialidade de Messi, deixam os gauleses perdidos em campo, sem bola e sem conseguir travar o ataque adversário.

Alvarez, De Paul e Di Maria deram os primeiros sinais de perigo, até aparecer um dos lances que vai dar muito que falar. Numa incursão de Enzo Fernandez pela esquerda, o médio encontrou MacAllister que meteu em Di Maria. O extremo encarou Dembelé no um para um, entrou na área e caiu. O árbitro polaco Szymon Marciniak assinalou penálti, para desespero dos franceses. Na conversão, Messi sacudiu a pressão, fez a paradinha e marcou para um lado, com Lloris a cair para o outro.

Esperava-se uma França à procura do empate, mas quem continuava a mandar no jogo era a Argentina. Messi tinha liberdade para deambular pelo terreno, procurando os melhores espaços onde podia fazer a diferença. Di Maria, encostado à esquerda, ia dando trabalho, Alvarez recuava para tabelar e servir de apoio aos médios. MacAllister, excelente nos equilíbrios.

Na França, Mbappé estava desaparecido em combate, Giroud era uma ilha e Griezmann não tinha bola para desequilibrar. De uma recuperação de bola alta, Messi voltou a brilhar com fantástico passe para MacAllister que meteu ao segundo poste para uma grande finalização de Di Maria, aos 36 minutos. Era a confirmação de como este homem está talhado para os grandes momentos: seis dos seis oito golos fases finais de competições pela Argentina foram marcados em fases a eliminar, ele que já tinha marcado na final da Copa América em 2021.

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