A prática de criação de diversos tipos de gado, com particular incidência para o bovino, na província de Cabinda, ganha maior espaço a cada dia que passa, com o surgimento de novos criadores, que fazem da profissão não somente como fonte de rendimento pessoal, mas também de nutrição e proteína animal de muita gente.

13/12/2022 14H34

O fazendeiro está envolvido no processo de compra de mais cabeças de gado bovino

Entre os vários criadores disponíveis na província, está Bernardo Faria Cudefe, 69 anos, que se dedica à actividade de pecuária há 22 anos, na aldeia do Bitchequete, cerca de 60 quilómetros a norte da cidade de Cabinda.

Na fazenda situada no município de Cacongo, o pecuarista emprega, directamente, 10 jovens e outros tantos de forma sazonal, que o auxiliam na actividade diária de criação de gado bovino, caprino, suíno e de aves (galinhas).

Com uma vasta experiência de criação dos mais diversos tipos de gado animal, entre bois, cabritos e ovelhas, o pecuarista contou ao Jornal de Angola que tem muita estima pela profissão exercida, e que, desde muito jovem, começou a ter paixão pelos animais.

“Desde 1999 que pratico a actividade de criação de gado. Comecei com cinco cabeças de boi, quinze galinhas e dez cabritos. Hoje, para além dos animais que já vendi, tenho mais de cem cabeças de gado bovino, igual percentagem de caprino, centenas de galinhas e cabritos”, assume.

O criador Bernardo Faria Cudefe contou ainda que para além de fornecer carne bovina no mercado local, tem sido também a pessoa que, por vezes, dispõe para o governo provincial diversos tipos de gado para o fomento pecuário.

“Vendi muito gado bovino ao Governo da Província de Cabinda na implementação da estratégia local de repovoamento animal”, disse.

Conforme conta, o Governo de Cabinda está a desenvolver um bom programa de fomento pecuário e de criação de aves. O programa prevê a distribuição de alguns animais como bois, cabritos e galinhas às comunidades rurais e não só.

Bernardo Faria Cudefe elogia, por isso mesmo, o governo da província pela iniciativa, reiterando que, o Programa de Fomento Pecuário, está a produzir bons resultados, tanto mais que, a fazenda, no âmbito dessa mesma iniciativa e dada a experiência que tem na criação de gado, alberga, neste momento, unidades demonstrativas com galinheiros, apriscos e pocilgas, devidamente estruturadas, para a criação de aves, pequenos ruminantes e suínos, que servem de modelo para toda a província. Disse, com satisfação, que os agricultores de outras localidades da província vão ao seu encontro para partilha de experiência.

“Temos recebido aqui na fazenda muitos agricultores, vindos de outros municípios da província, casos de Cacongo, Buco-Zau, Belize e até mesmo do município sede (Cabinda), em busca de experiência. Depois do intercâmbio, todos saem daqui muito bem informados sobre as novas técnicas de criação de gado, como de aves”, sublinhou.

Para o pecuarista, o que lhe deixa, particularmente, preocupado e condiciona até certa medida a criação de animais como aves, é a falta de ração.

“Não temos em Cabinda uma única moagem de ração. Esse é o grande empecilho, porque para se criar galinhas, porcos e outros animais, precisamos de ração e aqui não existe ainda a cultura de se cultivar muito milho”, desabafou o agricultor.

Salienta que para contornar o constrangimento da ração, teve que montar na fazenda uma pequena unidade de transformação de milho (moagem).

Para além do sector da pecuária, onde está fortemente empenhado, Bernardo Faria Cudefe desenvolve também agricultura com destaque para as culturas da mandioca e citrinos.

“Temos um vasto terreno onde já estamos a cultivar todas essas culturas. O que nos resta apenas é o apoio financeiro”, disse.

Entende que caso o governo da província apoie os agricultores locais em recursos financeiros e materiais, a região, rapidamente, será auto-suficiente em termos de consumo de carne animal e de outros produtos do campo.

A falta de um meio de transporte, sobretudo carrinha para evacuação dos produtos do campo para a cidade, é a outra “dor de cabeça” de momento para o agro-pecuarista.

Bernardo Faria Cudefe disse que, actualmente, está envolvido no processo de compra de mais cabeças de gado bovino, junto de alguns fazendeiros locais, para reforçar a população animal na sua fazenda e que o transporte também aqui tem sido o “calcanhar de Aquiles”, para movimentar os animais do local de compra até à fazenda.

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