14/11/2022 06H24

A Cooperativa Agropecuária de Quizenga aposta na produção para abastecer o mercado

Trinta jovens associados à Cooperativa Agropecuária da Quizenga, no município de Cacuso, na província de Malanje de beneficiaram, sexta-feira, moradias e lotes de terra para desenvolver agricultura à luz de um programa denominado “Assentamento de Jovens Agricultores”.

O ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, procedeu à entrega aos jovens beneficiários as chaves das residências apetrechadas, assim como  contratos de concessão de terra para desenvolver a actividade agrícola.

Os beneficiários têm ainda à volta das sua residências galinheiros para a criação de aves e desenvolver o agronegócio.

Mais-valia

Doroteia Canganjo, formada pelo Instituto Médio Agrário de Malanje, é uma das beneficiárias do projecto do Governo. Em entrevista ao Jornal de Angola, a jovem que reside há muitos, anos na cidade disse que a falta de emprego era um dos grandes problemas que enfrentava.

Fez várias tentativas na perspectiva de encontrar um emprego que lhe assegurasse para enfrentar os desafios da vida, mas, não teve essa sorte.

Encontrou a oportunidade na Cooperativa Agropecuária de Quizenga onde está associada, depois de beneficiar de uma formação de incentivo do agronegócio juvenil.

“Recebi uma moradia com a sua mobília e um galinheiro. Vou morar aqui porque é o meu local de trabalho. Vou criar e produzir galinhas. Recebi também o meu contrato de concessão de terra. Sinto-me muito feliz por isso, foi muito difícil, mas neste momento estamos a rir, eu vivia antes na cidade de Malanje e estava desempregada”, disse.

Jéssica Zua que recebeu no âmbito do mesmo projecto o contrato de uma parcela de 5 hectares, já sabe o que vai colocar no espaço. “Vou desenvolver nela a agricultura, propriamente a produção de milho, feijão e soja. Vou também criar galinhas”, disse visivelmente satisfeita.

Adão Domingos Pureza, é um outro jovem formado no curso de Produção Vegetal pelo Instituto Médio Agrário de Malanje.

Na formação promovida pela Cooperativa de Quizenga, especializou-se na manutenção de máquinas, na produção e transformação de todo o tipo de ração e cereais.

O jovem que beneficiou, igualmente, de uma residência apetrechada com todos os meios e do documento que lhe identifica como proprietário de cinco  hectares de terra, disse à nossa reportagem que tem agora o passe livre para o empresariado em agronegócios.

“Para mim, com uma visão futurista, representa o começo de um crescimento. Recomeça o desejo, a oportunidade de poder crescer e no final das contas sei que dependerá do meu empenho e de quanto realmente eu amo a terra”, disse o nosso interlocutor.

  Inaugurado sistema de irrigação

O ministro António Francisco de Assis inaugurou um sistema de irrigação e fornecimento de equipamentos, avaliado em mais de 122 milhões de dólares.

O investimento do Governo angolano vai se ocupar no processamento de grãos e fabricação de ração. No perímetro, foi ainda construída uma barragem que alimenta todo um sistema de irrigação, com cerca de 1.800 hectares irrigados com dois sistemas de pivôs.

Com uma área de sequeiro, a fazenda contempla uma área de 15.000 hectares, onde a Gesterra, que implementou o projecto, vai  trabalhar nas áreas irrigadas, podendo também ceder terras para trabalhos de sequeiro às entidades privadas que  se instalarem  na região de Quizenga.

“Foi surpreendente para nós vermos já a fábrica em funcionamento e encontramos a selecção e calibração da semente de feijão que é propriedade de uma empresa privada”, disse o governante que assegurando que a unidade ora inaugurada, vai por seu turno prestar serviços aos produtores privados no domínio dos grãos.

“Estamos muito satisfeitos com aquilo que estamos a ver. Há uma boa interacção entre a Gesterra e as comunidades. Pude conversar com as autoridades tradicionais aqui, há integração de jovens da região, isso é muito importante, e agora que eles concluíram os trabalhos de construção e montagem da fazenda, vão passar a actuar em cada uma das localidades destes sobas, levando conhecimento e  apoio para que as comunidades possam produzir bastante e quiçá, poderem também contribuir, vendendo o seu produto aqui para este centro, que pode adquiri-lo, tratar e levá-lo para o mercado”, disse.

António de Assis disse ser um grande presente da nossa Independência para a província de Malanje, com realce para a região da Kizenga especificamente e para todos os angolanos, pelo que, “devemos nos sentir muito regozijados, muito felizes porque um empreendimento dessa natureza, o nível de sofisticação que aqui temos, 100 porcento operado por angolanos jovens, é um ganho da nossa Independência”, salientou.

O governante acrescentou que um projectos daquela dimensão, visa essencialmente alavancar o desenvolvimento da agricultura, dado o seu potencial tecnológico que vai ajudar os agricultores e outros interessados em desenvolver projectos agrícolas.

O projecto em causa, explicou, já vem das legislaturas anteriores. Conheceu uma paralisação durante algum tempo, e nós quando assumimos a direcção do Ministério, na legislatura anterior, apenas impulsionamos. O Ministério apenas impulsionou, ajudou a reorganizar forças para que o projecto não morresse por causa da sua importância. Esse é um projecto âncora de desenvolvimento. Existem outros que foram feitos noutras localidades, alguns deles estão a ser privatizados, à luz do programa de privatizações que o Governo”, precisou.

  Ministro encoraja jovens   a apostar no agronegócio

O ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, regozijou-se com a iniciativa, tendo encorajado os jovens a se dedicarem no agro-negócio.

“Aqui, o simbolismo é muito grande. Jovens nascidos maioritariamente depois da Independência recebem os títulos de propriedade das suas terras, seu património. Vocês são técnicos agrários, vocês estudaram, abraçaram essa profissão, isso, nos deixa muito satisfeitos”, assinalou.

Atendendo as dificuldades de mobilidade na região, o governante anunciou que no mais curto espaço de tempo vai ser colocado à disposição dos jovens um mini-autocarro para servir a cooperativa.

“Façam um bom uso dele. Escolham bem quem é que vai conduzir porque é uma ferramenta que vai ser muito útil para a vossa vida. Vocês têm que cuidar dessa ferramenta com o mesmo carinho que cuidam as vossas galinhas, que cuidam o vosso milho assim como cuidam a vossa casa e a vossa propriedade. Vai vos ajudar muito na vida, nós vamos no mais curto espaço de tempo mandar esse meio para aqui para apoiar o vosso trabalho”, garantiu.

  Gesterra aposta na produção de cereais

O director da fazenda Quizenga Lutete, Bernabé Sambongo, disse à nossa reportagem que na campanha agrícola 2022/2023, que constitui a primeira época, a Gesterra prevê desbravar 1.700 hectares onde serão produzidos milho, bem como 500 hectares para soja, e que já está em fase de sementeira.

Já na segunda época, que arranca em Janeiro do próximo ano, vai se trabalhar numa área de 1.000 hectares de milho, 500 de soja e 300 de feijão.

“Almejamos atingir uma produção de mais de 20 mil toneladas de grão anualmente. Portanto, ano após ano, vamos procurar melhorar a nossa capacidade produtiva”, sustentou.

A barragem para irrigação, com uma capacidade de 7 milhões de metros cúbicos, os pivôs instalados, vão permitir iniciar a sementeira muito mais cedo daí terem já nesse momento algum milho que está já na fase de enchimento de grão e outros na fase de formação de espiga.

“Nós queremos com isso participar activamente no grande instrumento que o Executivo lançou que é o combate à fome e a pobreza”, considerou.

Revista Destemidos.