13/11/2022 05H48

Os dois Presidentes vão abordar, essencialmente, nos próximos dias, as relações bilaterais e a guerra na Ucrânia

O Presidente da China, Xi Jinping, vai participar na Cimeira do G20 na próxima semana, em Bali, Indonésia, onde se reunirá com o homólogo norte-americano, Joe Biden, confirmou, sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em comunicado.

A nota adianta que Xi  Jinping vai reunir também, à margem da Cimeira, com os homólogos francês, Emmanuel Macron,  argentino, Alberto Fernández, e com o senegalês, Macky Sall.

O também secretário-geral do Partido Comunista da China vai ainda participar na 29.ª Reunião dos líderes da Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), em Banguecoque, e realizar uma visita oficial à Tailândia, entre os dias 17 e 19 deste mês, segundo a Diplomacia chinesa.

Embora a Casa Branca tenha anunciado, na quinta-feira, que os dois líderes se iam encontrar na próxima segunda-feira, um dia antes do início da Cimeira do G20, que reúne os países mais desenvolvidos e principais potências emergentes, a China não tinha ainda confirmado a participação de Xi, nem o encontro com Biden.

A Casa Branca garantiu que o Presidente norte-americano não fará concessões a Xi durante a reunião, reafirmando que não deseja conflitos, mas sim competir com o país asiático.

As relações entre Pequim e Washington deterioraram-se rapidamente, nos últimos dois anos, marcadas por uma prolongada guerra comercial e tecnológica e divergências em questões de Direitos Humanos, soberania do Mar do Sul da China ou o estatuto de Taiwan e Hong Kong.

Biden garantiu que Taiwan, aliado de Washington que a China considera ser sua província, vai ser um tema a abordar na conversa com o líder chinês.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse, quinta-feira, que a “China está pronta para a coexistência pacífica com os Estados Unidos e um relacionamento baseado no respeito mútuo e na cooperação”, acrescentando que, ao mesmo tempo, defenderá a sua “soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”.

“É importante que lidemos adequadamente com as diferenças para evitar mal-entendidos e erros de cálculo”, acrescentou.

Biden e Xi partilham um longo relacionamento pessoal: os dois conheceram-se há mais de uma década quando eram vice-presidentes e reuniram-se várias vezes.

O encontro da próxima semana será, no entanto, a primeira vez que se reúnem de forma presencial na posição de Chefes de Estado, embora tenham realizado duas reuniões por videoconferência no ano passado.

 Moscovo justifica ausência de Putin na Indonésia

A Rússia justificou, sexta-feira,  a ausência do Presidente Vladimir Putin da Cimeira do G20, na Indonésia, com razões de agenda e a necessidade de permanecer no país.

“A decisão foi tomada pessoalmente pelo Chefe de Estado, está ligada à sua agenda e à necessidade de ele estar na Rússia”, disse o porta-voz do Kremlin , Dmitri Peskov, citado pela agência francesa France Press ( AFP).

Peskov informou que Putin também não tem planos para enviar uma mensagem aos participantes do G20 por videoconferência.

O Kremlin anunciou,  quinta-feira, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, chefia a delegação de Moscovo à Cimeira na ilha indonésia de Bali.

Lavrov também participará na Cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no Camboja, este fim-de- semana.

O anúncio da ausência de Putin pôs fim a meses de incerteza sobre se iria participar na Cimeira do grupo das economias mais desenvolvidas (G20), organizada pela Indonésia, nos próximos dias 15  e 17 deste mês.

A ausência de Putin do mais importante encontro de líderes mundiais desde o início da pandemia da Covid-19, em 2020, ilustra o isolamento crescente de Moscovo na cena internacional devido à invasão da Ucrânia, a 24 de Fevereiro deste ano, segundo a AFP.

Líder russo tem medo de ser assassinado

Sergey Markov, um analista político sénior pro-Kremlin, diz que Putin teme ser assassinado pelos EUA, Grã-Bretanha e Ucrânia. O analista político sénior pro-Kremlin Sergey Markov afirmou que a ausência de Vladimir Putin na Cimeira do G20 se deve a receios dele próprio de uma eventual tentativa de homicídio.

“As razões pelas quais Putin não vai ao G20 são sérias”, disse, citado pelo The Telegraph. “Existe uma grande possibilidade de uma tentativa de assassinato contra ele por parte dos Serviços Especiais dos EUA, Grã-Bretanha e Ucrânia”.

As palavras de Markov surgem numa altura em que a pressão interna sobre Putin aumenta, devido à anunciada retirada de Kherson, um dos pontos estratégicos conquistados pelas tropas russas na Ucrânia, bem como pela notícia de que esta guerra teria já causado em mais de 100 mil mortos e feridos do lado do Kremlin.

De recordar que a reunião do G20 está marcada para a próxima terça-feira, em Bali, na Indonésia. Depois de alguma incerteza, o Kremlin anunciou que Putin não marcará presença, ficando ainda em aberto se intervirá, ou não, através de videochamada. Em simultâneo, foi também anunciado que o Presidente russo vai falhar três reuniões internacionais marcadas para as próximas semanas no continente asiático.

Quinta-feira, o mundo assistiu ao avanço das tropas ucranianas na região de Kherson, que os russos ocuparam em Março deste ano, e cuja “queda”, em conjunto com as notícias de que a guerra já terá causado mais de 100 mil mortos e feridos russos, tem colocado maior pressão sobre o Kremlin.

Revista Destemidos.