08/11/2022 08H50

Preços de alimentos estabilizaram

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) indica que os preços mundiais de alimentos estabilizaram no mês de Outubro.

Segundo o relatório da organização, divulgado, recentemente, em Roma, na Itália, a medição mensal de Outubro atingiu uma média de 135,9 pontos durante o período, ficando ligeiramente abaixo do nível em Setembro. O índice ficou 14,9 por cento abaixo do recorde de Março deste ano, e 2,0 por cento acima de Outubro do ano passado.

Em relação à categoria de cereais, a alta foi de 3 por cento durante o mês em análise. Os preços do trigo subiram 3,2 por cento, reflectindo principalmente incertezas relacionadas à Iniciativa de Grãos do Mar Negro. Houve ainda uma revisão para baixo da oferta nos Estados Unidos da América.

A FAO publicou ainda a actualização da oferta e demanda de cereais. A agência reduziu a perspectiva de produção global para 2.764 milhões de toneladas, revelando um declínio de 1,8 por cento em relação a 2021.

A produção global de trigo chegará a 783,8 milhões de toneladas, mas espera-se que a produção mundial de grãos caia 2,8 por cento, para 1.467 milhões de toneladas.

A produção mundial de arroz deve atingir 512,6 milhões de toneladas, uma queda de 2,4 por cento em relação à alta histórica do ano passado.

A partir de Setembro de 2022, espera-se que haja uma melhora de preços do milho. Há preocupação, no entanto, com baixas nos Estados Unidos e na União Europeia, com os efeitos da seca na Argentina e a incerteza sobre as exportações da Ucrânia. Os preços internacionais do arroz aumentaram 1 por cento.

A nível global, o principal factor na queda do açúcar foram as melhores perspectivas de produção na Índia.

Mecanização agrícola

Por outro lado a FAO indica que o papel da automatização agrícola pode ser mais eficiente e ecológico para produzir alimentos com todos os recursos ao dispor, desde tractores até inteligência artificial.

A agência da ONU cita países lusófonos pelo uso do tractor por cada mil hectares de terra arável.  São Tomé e Príncipe lidera com o uso de 117 tractores em cada mil hectares, seguido do Brasil com 16,1.

Depois segue Angola com 2,8, Cabo Verde com 1,2, Timor-Leste com 0,7 e Moçambique com 1,5. Por último, está a Guiné-Bissau com 0,1.

O documento diz haver grandes disparidades em disseminar a automação entre e dentro dos países. A situação é particularmente crítica na África Subsaariana.

A FAO destaca ainda que deve ser aproveitada a nova revolução, envolvendo tecnologias digitais, com recursos como inteligência artificial, drones, robótica, sensores e sistemas globais de navegação por satélite. Por outro lado, o sector de produção pode beneficiar de dispositivos portáteis como telefones celulares e a melhora na conexão à Internet.

Revista Destemidos.