08/11/2022 08H40

A diplomacia norte-americana pediu, em privado, ao Governo ucraniano que deixe aberta a possibilidade de negociar um acordo de paz com a Rússia, para convencer os países aliados de que a guerra no país não se eternizará.

A notícia foi avançada ontem pelo jornal “Washington Post”, que cita fontes próximas das negociações.

Fontes que falam de “intento calculado” por parte dos EUA para garantir a Kiev o apoio de governos cujos eleitorados começam a estar cansados do conflito e das consequências económicas que comporta.

“O cansaço sobre a Ucrânia é uma realidade para alguns dos nossos parceiros”, reconheceu ao jornal um responsável norte-americano, sob o anonimato.

No entanto, o Governo norte-americano também transmitiu a Kiev o conhecimento de que nenhuma das ofertas russas para negociar tem credibilidade alguma, dadas as exageradas exigências, que praticamente equivalem a uma rendição incondicional e reconhecimento implícito da soberania russa sobre os territórios ucranianos que incorporou.

De facto, em finais de Setembro, após as anexações russas, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou ser “impossível” negociar com o homólogo russo, Vladimir Putin. “Negociaremos com o novo Presidente”, disse, num discurso.

Não obstante, responsáveis norte-americanos consultados pelo diário não descartam a possibilidade de Zelensky apoiar uma reabertura das negociações, uma vez que chegado o Inverno, quando as baixas temperaturas praticamente impossibilitam os combates e se abre a janela da diplomacia.

De momento, e perante os avanços ucranianos em Jerson e o possível ataque da semana passada contra o porto de Sebastopol, os responsáveis norte-americanos perguntam agora se a Ucrânia tem a intenção de lançar ofensivas na península da Crimeia, uma estratégia que poderia acabar com todas as expectativas de um acordo de paz, pela importância estratégica que este território, incorporado pela Rússia em 2014, representa para o Kremlin.

Armas nucleares

Entretanto, o chanceler alemão, Olaf Scholz, apelou à Rússia para descartar com clareza o uso de armas atómicas na guerra na Ucrânia.

Revista Destemidos.