01/11/2022 06H33

A União Europeia pediu, ontem, à Rússia, que revogue a decisão de desistir de um acordo de grãos mediado pela ONU, uma medida que prejudica os esforços para aliviar uma crise alimentar global.

A Rússia suspendeu a sua participação no acordo do Mar Negro, no sábado, cortando os embarques a partir da Ucrânia, um dos maiores exportadores de grãos do mundo, em resposta ao que chamou de um grande ataque de drone ucraniano no início do dia, à sua frota, perto do Porto de Sevastopol, na Crimeia, anexada à Rússia.

“A decisão da Rússia de suspender a participação no acordo do Mar Negro coloca em risco a principal rota de exportação de grãos e fertilizantes muito necessária para enfrentar a crise alimentar global causada pela guerra contra a Ucrânia”, disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, no Twitter. “A UE apela à Rússia para (reverter) sua decisão.”

No sábado, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chamou a medida de “puramente ultrajante”, dizendo que aumentará a fome, enquanto o secretário de Estado Antony Blinken acusou Moscovo de usar alimentos como arma. Ontem, o embaixador da Rússia em Washington retrucou, dizendo que a resposta dos EUA foi “ultrajante”.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que a Ucrânia atacou a Frota do Mar Negro perto de Sebastopol com 16 drones no início de sábado, e que “especialistas” da Marinha britânica ajudaram a coordenar o que chamou de ataque terrorista.

A Rússia afirmou que repeliu o ataque, mas que os navios visados estavam envolvidos em garantir o corredor de grãos nos portos do Mar Negro da Ucrânia.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse que Moscovo usou as explosões a 220 quilómetros de distância do corredor de grãos como um “falso pretexto” para um movimento planeado há muito tempo.

“A Rússia planeou isso com bastante antecedência”, declarou Kuleba no Twitter. “A Rússia tomou a decisão de retomar seus jogos de fome há muito tempo e agora tenta justificá-la”, disse, sem oferecer nenhuma evidência.

A saída da Rússia do acordo de grãos marca um novo desenvolvimento em uma guerra de oito meses que começou com a invasão da Rússia em Fevereiro e que, recentemente,  foi dominada por uma contra-ofensiva ucraniana ataques de drones e mísseis russos que destruíram mais de 30 por cento da capacidade de geração de energia da Ucrânia.

Revista Destemidos.