30/10/2022 06H01

O projecto MOSAP-3 que na Lunda-Norte deverá, neste ano, ser implementado em quatro dos dez municípios da província, nomeadamente, Capenda- Camulemba, Xá-Muteba, Cuango e Lucapa, vai centrar as actividades no estudo para determinar as culturas que possibilitem aumentar o rendimento de produtores agrícolas em termos de comercialização nos distintos mercados locais e do país.

O chefe de departamento interino do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Catembue Camuanga explicou, que uma das principais metas tem a ver com a melhoria da cadeia produtiva.

Avançou que na Lunda-Norte, a mandioca, por via da transformação em fuba de bombó, constitui a base alimentar das famílias, mas nesse momento as autoridades em coordenação com o Ministério da Agricultura e Florestas, através do Projecto MOSAP-3 estão com a estratégia virada para a eleição de produtos que além da segurança nutricional garantam, também lucros para os pequenos e médios produtores agrícolas.

A produção de cereais como feijão e milho, incluindo a ginguba, está no centro das prioridades, no quadro da implementação do Projecto MOSAP-3, disse Catembue Camuanga.

Destacou que com o surgimento de Escolas de Campo, os municípios do Capenda-Camulemba, Xá-Muteba, Cuango e Lucapa vão ter formadores agrários para reforçarem a assistência técnica aos produtores. As perspectivas para o reforço da cadeia produtiva, desde a preparação de terras até ao processo de comercialização com a chegada do MOSAP-3, são animadoras, principalmente a aposta no cultivo do milho uma vez que 80 por cento das empresas de exploração diamantífera que operam na Lunda-Norte que estão entre os maiores clientes, têm preferência pelo consumo da fuba derivada daquele cereal.

Acrescentou, ainda que além dos operadores mineiros, nos últimos anos já se vem notando um crescente interesse de inúmeras famílias da província, com realce na cidade do Dundo a optarem pelo consumo do milho, afirmou Catembue Camuanga.

A escolha do “bloco” de alimentos e de rendimento por via da comercialização por parte dos produtores no quadro do projecto MOSAP-3, segundo o chefe de departamento interino do IDA, vai incidir em quatro produtos-mandioca, milho, feijão e ginguba.

Voltado fundamentalmente na assistência técnica, auxílio à resiliência, com vista à promoção sustentável da cadeia produtiva prevê,  ainda, a criação de centros de produção na comuna do Xinge e localidade do Xamiquelengue, município de Capenda-Camulemba.

 Recuperação da EDA

O projecto, de acordo com o chefe de departamento do IDA, que abarca a recuperação da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) do município de Capenda-Camulemba, único até agora existente na província, mas que se encontra inoperante desde a sua inauguração em 2014 contempla, recrutamento de dez técnicos.

O programa de destacamento dos 10 técnicos agrários, sugere quatro para a comuna do Xinge, três na localidade de Xamiquelengue e sete na sede municipal do Capenda-Camulemba, dois dos quais especialistas para o Laboratório de Análise dos Solos da Estação do Desenvolvimento Agrário, declarou Catembue Camuanga.

Afirmou que o Executivo, através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pescas está apostado na recuperação da EDA do Capenda-Camulemba, a julgar pela sua importância no fortalecimento do sector na Lunda-Norte e na região Leste do país.

A Estação de Desenvolvimento Agrário com infra-estruturas modernas para armazenamento, comercialização de sementes e fertilizantes aos camponeses, pequenos e médios agricultores foi construído pelo Ministério de tutela, com o financiamento do Reino de Espanha, no quadro da cooperação entre o Governo angolano e aquele país europeu, mas desde a inauguração em 2014, continua inoperante fruto da vandalização e falta de técnicos que assegurem o funcionamento, disse Catembue Camuanga.

Com a recuperação prevista no quadro do Projecto MOSAP- 3, conforme sublinhou, a instituição vai prestar serviços de apoio e realizar seminários para o desenvolvimento de competências técnicas aos agricultores dos municípios da região sul da Lunda-Norte e das vizinhas províncias da Lunda-Sul e Moxico. A infra-estrutura disse, deverá contar com uma residência para os técnicos que vão assegurar o seu funcionamento, além de outros compartimentos já existentes, como salas de conferências, escritórios, biblioteca e um armazém frigorífico para a conservação de produtos agrícolas, principalmente hortícolas.

O chefe de departamento interino do IDA na Lunda-Norte, esclareceu que a Estação de Desenvolvimento Agrário foi, também, concebida para garantir apoio ao escoamento da produção e facilitar o estabelecimento de uma rede comercial.

“Quando uma associação ou cooperativa agrícola colhe a sua produção, nós vamos ajudar no seu escoamento e garantir integralmente a conservação, porque a intenção é facilitar o surgimento de uma rede comercial para que os agricultores possam obter rendimentos da sua produção”, disse Catembue Camuanga.

Realçou que a Estação de Desenvolvimento Agrário dispõe igualmente de uma área agrícola experimental de 30 hectares, destinada às aulas para a introdução de boas práticas de cultivo aos agricultores.

Por: Victorino Matias / Dundo

Revista Destemidos.