16/10/2022 06H54

O novo ministro das Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt, anunciou, este sábado, dia seguinte ao da nomeação por Liz Truss, que vai ser necessário adoptar “decisões difíceis” para rectificar o projecto económico e fiscal da Primeira-Ministra.

“Um ministro das Finanças não pode controlar os mercados, mas o que posso fazer é mostrar que nós podemos financiar os nossos projectos com os impostos e para isso vai ser necessário tomar decisões muito difíceis”, afirmou à Sky News.

Jeremy Hunt foi nomeado na sexta-feira pela Primeira-Ministra, Liz Truss, para substituir Kwasi Kwarteng, demitido na sequência da crise económica e financeira que emergiu da crise política no seio dos conservadores.

Hunt é próximo de Rishi Sunak, antigo ministro das Finanças de Boris Johnson e adversário de Liz Truss na campanha para chegar a Primeiro-Ministro. Agora tem como missão tomar conta do mini-orçamento anunciado em 23 de Setembro pelo seu antecessor, que foi mal acolhido pelos mercados, por uma grande parte do partido conservador e pela população britânica em geral.

O novo responsável pelas contas do Estado britânico admitiu que foram cometidos “erros” no mini-orçamento, que previa despesa e cortes massivos de impostos sem uma fonte de financiamento clara.

“A Primeira-Ministra reconheceu (estes erros) e é por isso que estou aqui”, afirmou Hunt, clarificando que concorda com “os fundamentos” do projecto económico de Truss.

“Quero ser honesto com as pessoas: vamos ter de tomar decisões difíceis, as últimas semanas foram muito difíceis”, insistiu Hunt na primeira entrevista enquanto ministro das Finanças.

Especificou, assim, que “a despesa pública não vai aumentar tanto como as pessoas gostariam” e que vai pedir “a todos os departamentos ministeriais que sejam mais eficazes”.

“Alguns impostos não vão ser reduzidos tão rapidamente como as pessoas gostariam” e “certos impostos vão aumentar”, acrescentou, numa alusão à mais recente concessão feita por Truss na sexta-feira.

A Primeira-Ministra teve de abdicar da sua proposta de manter o imposto sobre as empresas nos 19 por cento. Assim, vai mesmo aumentá-lo para 25 por cento, como foi decidido pelo anterior Governo conservador.

Há duas semanas, Truss já tinha abdicado de um corte nos impostos para os detentores de grandes fortunas, uma medida que levantou polémica no Reino Unido e críticas de várias facções partido conservador.

Revista Destemidos.