13/10/2022 10H13

O satélite Angosat-2 já está em órbita, desde às 3 horas da manhã de hoje, depois de ter sido lançado ontem, às 20 horas locais (16 de Angola), no Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão. O Angosat-2 percorreu 36.000 quilómetros da superfície terrestre ate à órbita geoestacionária, onde deve se posicionar.

O momento foi testemunhado pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Co-municação Social, Mário Oliveira, e do director da Agência Espacial Russa – Roscosmos, Yuri Borisov.

Completaram a equipa altos funcionários do Ministério e da Agência Espacial que acompanharam todos os momentos, a partir do Centro de Observação da Estação, que fica a sete quilómetros de distância.

O Angosat-2 foi colocado em órbita pelo foguete Proton-M, a partir da rampa 81. Após o lançamento seguiu-se, nos primeiros 10 minutos, a separação do foguete e do bloco DM-03 (estágio superior), prosseguindo três impulsos até separar-se do satélite na órbita geoestacionária.

O Proton-M é composto por três estágios, que se separam sequencialmente ao longo do processo de lançamento. Depois da separação do bloco-DM, iniciou o processo de estabilização do satélite e a abertura dos painéis solares para a captação dos raios solares, que é a sua principal fonte primária de energia.

Cumprida a fase de separação do satélite, começam os testes de verificação da sua funcionalidade, podendo acontecer num período variável entre 60 e 90 dias, cujo sucesso é avaliado após a separação do bloco DM-03 e do satélite.

No período de verificação, acontece, igualmente, uma fase de testes para a verificação e funcionamento em órbita do satélite, que varia entre os 60 e 90 dias. Para chegar à sua posição de trabalho, leva dez dias. De acordo as informações avançadas pela equipa técnica, o satélite de Telecomunicações, com uma dimensão de 56.2 metros de cumprimento, 7.4 de diâmetro e 705 toneladas, tem uma alta taxa de transmissão de dados (HTS) e vai assegurar a cobertura total do território nacional e disponibilizar serviços de telecomunicações, meadamente, Telefonia, Internet, Telemedicina, Teledifusão e Radiodifusão.

 Valências do Angosat-2 

O satélite de Telecomunicações terá seis transponderes na Banda C e 24 feixes na Banda Ku e um transponder da Banda K-A, canais de comunicação do satélite. A carga útil do Angosat-2, onde estão incorporados os transponderes, foi construída pela empresa europeia Airbus, ao passo que a empresa russa ISS é o integrador e construtor principal do satélite. De acordo com dados partilhados pela equipa técnica angolana, a carga útil do Angosat-2 foi construída em França e Inglaterra, enviada a seguir à Rússia, que a integrou à plataforma montada pela ISS.

 Depois da integração do mesmo à plataforma, entre Novembro do ano passado e Julho de 2022, nove meses mais tarde foram realizadas uma série de testes, nomeadamente, eléctricos, termo-vácuo, balanceamento térmico, mecânicos, entre outros.

O Angosat-2 começou a ser construído em Novembro de 2019, depois do desaparecimento do primeiro satélite angolano. O tempo de vida útil em órbita do satélite varia entre 15 e 17 anos. Depois da cerimónia de lançamento, a parte russa apresentou ao ministro Mário Oliveira a equipa de engenheiros que esteve envolvida em todo o processo de construção do satélite, culminado com o acto de ontem.

 Melhoria dos serviços

Durante o encontro de apresentação da equipa de engenheiros, o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social destacou que o lançamento do Angosat-2 vai permitir que o Executivo cumpra os objectivos da melhoria do sector no país, contribuindo deste modo para o desenvolvimento de Angola.

Mário Oliveira agradeceu, em nome do Governo angolano, todo o empenho da equipa técnica que trabalhou para a materialização do desafio: “Pelos parâmetros observados durante o lançamento, estamos em crer que vamos atingir os objectivos do Executivo”.

Por seu turno, o director da Agência Espacial Russa – Roscosmos, Yuri Borisov, reconheceu que, com este passo, Angola realizou um desafio muito duro e intenso, onde todos trabalharam arduamente para a construção do satélite e o foguete de lançamento: “Esperamos que, em menos de seis horas, o satélite esteja no ponto definido e comece a desempenhar as suas funções”.


Por: Edna Dala / Baikonur / Edna Dala

Revista Destemidos.