12/10/2022 16H53

Lançamento do satélite resultou de um trabalho árduo das equipas angolana e russa

O satélite Angosat2 é colocado em órbita, hoje, pelo foguete “Proton-M”, com cerca de 50 metros de altura, a partir do Cosmódromo de Baikanur, Cazaquistão, por volta das 20 horas locais, 16 de Angola.

A delegação angolana, que visitou ontem as instalações do Cosmodromo de Baikanur, está confiante no sucesso da operação. No local, recebeu explicações detalhadas sobre o lançamento e o comportamento do satélite, e ficou a saber que, depois de estar em órbita, o Angosat2, com duas toneladas de peso, terá uma dimensão de 22 metros de envergadura quando abrir os painéis solares.

A visão que se tem do satélite, a partir da rampa de lançamento, é de que se está em presença de uma obra imponente, uma criação fantástica da engenharia de exploração espacial. Depois de estar em órbita, a central de acompanhamento e controlo, em terra, terá de aguardar pelo sinal do satélite, para a confirmar a sua operacionalidade.

Os especialistas que estão a tratar do lançamento adiantaram que o período de espera pela reacção do satélite é de aproximadamente três meses. Depois, segue-se uma fase de testes para verificar as movimentações e o funcionamento em órbita, num tempo que varia entre 60 e 90 dias. Para chegar na sua posição operacional, o satélite precisa, em continuidade, de pelo menos dez dias.

O director  técnico, Alexander Madzar, fez saber que todos os procedimentos técnicos de preparação para o lançamento foram feitos de acordo com os padrões de operação, um facto que garante o sucesso da operação. Disse que, de acordo com o cronograma, a separação do satélite do bloco de aceleração está programada entre as duas e as quatro da amanhã.  

O director-geral da ISS-Indústria Espacial Russa, Evgeniy Nesterov, avançou mais informações durante uma curta reunião com o ministro das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, que culminou com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre Angola e a Rússia. 

No final do encontro, depois da visita de constatação sobre o nível de preparação para o lançamento do satélite, o ministro Mário Oliveira, dirigindo-se aos responsáveis da ISS, fez questão de acentuar que a expectativa dos angolanos à volta do lançamento do satélite é  grande.

“Os angolanos estão expectantes com o dia de hoje”, frisou, acrescentando: “Nós acreditamos que o trabalho feito oferece garantias de que a operação de lançamento,  colocação do satélite em órbita e a sua operacionalização terão sucesso”.

Mário Oliveira realçou a prestação do Angosat2 na oferta de serviço de telecomunicações, como objectivo da missão. Confrontado sobre o impacto do satélite, referiu que vai revolucionar a comunicação no país, de modo geral.

Angola, prosseguiu, é um país vasto e precisa de uma cobertura em toda a sua extensão territorial, por forma a oferecer serviços de comunicação com qualidade à população, permitindo, assim, o seu desenvolvimento. Com este passo, “Angola acaba de entrar para o mundo espacial, que está em constante desenvolvimento”, referiu o ministro.

Em relação à possibilidade do país adquirir no futuro mais satélites, uma curiosidade da imprensa local, Mário Oliveira disse que não, justificando, a propósito: primeiro “vamos explorar o Angosat2, e, mais lá para a frente, analisar a necessidade ou não de se adquirir um outro satélite”.

Quanto à utilização do Angosat2, o ministro referiu que a operação está toda planificada, e, tão logo se cumpram os procedimentos tecnológicos, está prevista a entrada de um outro conjunto de procedimentos. Na ocasião, Mário Oliveira manifestou, também, a pretensão do Governo continuar a trabalhar com a Rússia no domínio da Ciência Espacial.

“Este capítulo, nunca se esgota, pois, vamos continuar a trabalhar com a Rússia”, disse, sublinhando que é uma potência mundial na ciência espacial, afirmando que o país quer “estar ao lado dos melhores”.

Ao pronunciar-se sobre a cooperação com a Rússia, fez saber que a área espacial é muito vasta, e, neste capítulo, as partes têm vindo a cooperar já desde alguns anos, sobretudo na formação de quadros.  Mário Oliveira, que se faz acompanhar de técnicos de alto nível, destacou o trabalho realizado com as autoridades russas, principalmente entre as equipas técnicas, que permitiram o desenvolvimento do projecto.

“Foi um período marcado de trabalho árduo, que exigiu empenho das duas equipas, cujo resultado culmina com o lançamento do satélite, hoje”, sublinhou. Do ponto de vista técnico, acentuou, existem garantias de sucesso desta missão.

Memorando de Entendimento

No final do dia de ontem, representantes das duas delegações assinaram um Memorando de Entendimento, designado “Revisão de Prontidão de Lançamento”, que, entre várias questões, espelha os passos que foram dados até à colocação do Angosat2 em órbita.

Esta fase está ligada aos procedimentos técnicos de verificação da preparação de todos os elementos necessários para o lançamento, com destaque para o foguete e o satélite. O documento apresenta, também, no seu conteúdo, o trabalho da Comissão de Estado coordenado pela Agência Espacial Russa.


Construção
Novo satélite sem custos adicionais ao Estado

A construção do Angosat2 não trouxe custo adicional para o Estado angolano, pelo facto do contrato de mais de 300 milhões de dólares, rubricado com a parte russa para a construção do Angosat-1, ter previsto a construção de um novo, em caso de desaparecimento ou destruição do satélite.

Na qualidade de um satélite de Alta Taxa de Transmissão (HTS), o Angosat-2 vai disponibilizar 13 gigabytes em cada região iluminada (zonas de alcance do sinal do satélite) e será baseado na plataforma Eurostar-3000 e tem 15 anos de vida útil.

Assim, o satélite vai ser colocado na órbita geoestacionária, a uma distância de cerca de 36000 kms da superfície da Terra. Recorde-se que o Angosat-1 foi lançado ao espaço no dia 26 de Dezembro de 2017, a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Perdeu-se o contacto com o aparelho até ao presente.

Centro de controlo

O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) garante que todos os elementos técnicos para operação em órbita do Angosat-2 já estão assegurados, a saber, o Centro de Controlo e Missão de Satélites (MCC), localizado na Funda, em Luanda, antena da banda KA para os testes em órbita, já instalada no MCC, e a formação e capacitação dos recursos humanos.

A instituição refere ainda que o projecto Angosat-2 tem dois centros de controlo, um em Luanda (principal), e outro na Rússia. Ambos estão em pleno funcionamento, apetrechados com equipamentos e softwares de operação que garantem a prontidão para o lançamento, fase de testes em órbita e posterior operação.

O Centro de Controlo e Missão de Satélites foi projectado para funcionar de modo ininterrupto, 24h e 7 dias por semana, e está equipado com sistemas de engenharias que possibilitam a recepção, o processamento e o envio de informações para o satélite.

No mês de Julho, foi instalado no referido centro, em Luanda, uma antena de 7.5 metros de diâmetro que será utilizada para os testes em órbita do Angosat-2. O GGPEN esclarece que a infra-estrutura surge por força da actualização feita no Angosat-2 e utilizada na faixa de frequência de 17 a 30 GHz.
Recursos Humanos

Para operação do Angosat-2, foram formados e certificados pela empresa construtora cerca de 25 especialistas do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional(GGPEN). As formações foram na vertente da arquitectura, desenho e funcionalidades da plataforma e carga útil, assim como a formação prática sobre utilização dos softwares de operação.

Angosat é a denominação de um projecto estruturante que integra não só a construção, lançamento e operação dos satélites angolanos, mas também a criação de capacidade nacional em recursos humanos e infra-estruturas, no âmbito da Estratégia Espacial Nacional 2016 – 2025.

A este propósito, o ministro Mário Oliveira sublinhou que o Angosat não aparece isoladamente, faz parte de um programa que inclui a Rede Nacional de Fibra Óptica e a Rede de Fibra Óptica Submarina. “O Angosat é uma componente desse ecossistema com vista à melhoria das comunicações do país”, esclareceu. O Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola e o consórcio russo responsável pela construção e lançamento do primeiro satélite angolano, acordaram, a 23 de Abril de 2018, o início da construção do Angosat-2, sem custos adicionais para a parte angolana.

Para além da actualização do satélite e para compensar o Estado angolano, a Rússia cedeu capacidades em outros satélites, em cerca de 288 MHz, durante o período de construção do Angosat-2, utilizados para Internet, serviço de televisão para a TPA, Telemedicina, telefonia, entre outras.


Fonseca Bengui / Edna Dala

Revista Destemidos.