06/10/2022 11H02

O processo poderá chegar às zonas mais recônditas do país, desde municípios e comunas

O Banco Nacional de Angola (BNA) prevê implementar, em 2023, o Sistema de Transferências Instantâneas (STI), que vai permitir pagamentos em tempo real, segundo disse, ontem, em Luanda, a directora de Departamento de Sistemas de Pagamentos da Instituição.

Cristina Caniço abordou, na terça-feira, sobre o “Sistema de Pagamentos de Angola, tendências e perspectivas”, num seminário com jornalistas.

Na ocasião, realçou que a infraestrutura denominada “IST”, cujo nome da marca é “KUIK”, trata-se de um sistema igual ao “Multicaixa PIX”, que poderá funcionar em todas as redes e aplicativos de processos de pagamentos.

Desta forma, disse Cristina Caniço, o “STI” vai garantir que as operações feitas pelos serviços de pagamentos móveis sejam compensadas e executadas em tempo real.

Numa fase experimental, explicou, o sistema está já, neste momento, em funcionamento e o BNA aguarda que sejam enquadrados mais intervenientes de formas a garantir que o mesmo funcione na totalidade, realizando processos em tempo real nas contas de pagamentos móveis, não mais que 30 segundos, para que a alteração seja liquidada e disponibilizada  na conta do cliente final  ou utilizador.

Com este processo, esclareceu Cristina Caniço, o BNA pretende criar um sistema identifico  ao do “cartão multicaixa”, que não importa a que banco pertença, o cidadão consegue realizar as transações e levantamentos em qualquer ATM (Caixa automática).

O que difere deste processo, destacou, é que no Sistema de Transferências Instantâneas o montante cairá na hora, o que não acontece com muitas transacções feitas de diferentes bancos para outro, pois o dinheiro chega na conta em 24 ou mesmo 48 horas depois da operação.

Transacções diversas

O mesmo acontece com vários aplicativos como o Unitel Money, o e-Kwanza, o Benix, sistemas estes ainda fechados, porque não podem ser efectuadas transacções de um aplicativo para o outro. Tal difere do STI, que será mais aberto e permitirá o enquadramento de todos os sistemas e aplicativos de pagamentos existentes no mercado  financeiro angolano.

“O BNA pretende com o STI responder a preocupação de pagamentos em tempo real, incluindo os móveis”, garantiu. Cristina Caniço sublinhou, por outra, que o sistema “KUIK” trará comodidade e  rapidez sem o cidadão deslocar-se para o ATM, e sem abrir o Internet banking.

Com este sistema, reforçou nos detalhes, tem-se aqui o operador com regras por cumprir, o prestador de serviço, e o BNA, este último que criará também medidas de indução de mudanças para garantir o normal funcionamento do serviço. Embora já existam os  sistemas como Unitel Money, BAI Directo, o e-Kwanza, é necessário que haja mais como a rede Africel, a quem o regulador central pretende ver também neste processo  de formas a acelerar o acesso dos serviços.

“Os sistemas de pagamentos existem para garantir as transferências interbancárias, inter-serviços, incluindo o sistema de compensação e liquidação”, reconheceu Cristina Caniço, que garantiu, além do “STI” o BNA tem ainda como perspectiva, nos próximos cinco anos, a implantação dos sistemas, Open Banking, Activos Virtuais e Stable Coins, e Moeda Digital de Banco Central (CDBC).

Inclusão financeira

O processo de Sistemas de Transferências Instantâneos poderá chegar às zonas mais recônditas do país, desde municípios e comunas, ali onde  ainda não exista a presença de um banco e as infra-estruturas como luz e Internet.

Segundo Cristina Caniço, neste sistema, será também garantido pelo BNA  a “Inclusão Financeira”, a todos os cidadãos que não possuam  telemóveis digitais e Android.

Para os que não  possuem este tipo de telefone,  a directora do departamento de Sistemas de Pagamentos explicou que o público-alvo  poderá fazer os processo por via de massagens “USSD”,  processo este já feito, anteriormente, com carregamentos de saldo, incluindo o código asterisco (*), cardinal (#) e outros.

 O Sistema de Pagamentos representa um conjunto de regras, procedimentos e instrumentos, que permite transferências de fundos entre instituições participantes, cooperadoras e a entidade que opera o mecanismo central.

Por: Ana Paulo

Revista Destemidos.