05/10/2022 10H12

A sétima edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que encerrou, no fim-de-semana, no Centro de Artes, no Lubango, na província da Huíla, teve um aproveitamento positivo, durante os nove dias de duração, afirmou, ontem, ao Jornal de Angola, o director do festival.

De acordo com Adérito Rodrigues “BI”, os grupos locais e os provenientes das províncias de Luanda, Namibe e Huambo mostraram talento durante o período da realização do festival, que decorreu de 24 de Setembro a 2 deste mês, na cidade do Cristo Rei.

No discurso de encerramento, Adérito Rodrigues realçou que a realização do CIT, também, nas demais províncias do país faz parte da iniciativa do projecto “Cultura para Todos”, que este ano teve como referência, nos espectáculos, a construção de novos valores sociais e sobre a vida e obra do primeiro Presidente da República, Agostinho Neto.

O director do festival adiantou que a maioria das exibições procurou trazer à reflexão pública temas didácticos como forma de incentivar os bons costumes e incutir nos jovens a importância da valorização da matriz cultural nacional. “Conseguimos com o festival, promover os valores da cultura nacional, por via da exibição de espectáculos que procurou, de certa forma, incentivar a criação artística dentro dos valores artísticos e culturais do país”, realçou.

Adérito Rodrigues realçou que participaram sete grupos da província da Huíla, dois de Luanda, um do Huambo e igual número da província do Namibe.

Embora não ter havido distinções, disse, a organização homenageou o grupo de teatro Candimbas de Santa Cecília, por ser o mais antigo e pelo contributo prestado para o crescimento das artes cénicas locais. Como prémio, o grupo recebeu da organização um certificado de mérito, uma estatueta CIT e brindes da Fundação Dr. António Agostinho Neto.

Adérito Rodrigues afirmou que foram realizados 14 espectáculos na província da Huíla. O CIT, abriu a gala, no dia 24 de Setembro, com o espectáculo do grupo “Agu Água Performance”, com a peça intitulada “Kilamba, o Grito dos Pulmões”, enquanto o grupo homenageado encerrou no dia 1 deste mês, com a peça “Havemos de Voltar”.

O programa do encerramento do CIT teve, igualmente, as intervenções da direcção do festival e da Comissão Nacional para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), assim como de representantes do Governo Provincial da Huíla (GPH).

Explicou que as formações foram ministradas pelo encenador Tony Frampênio, às segundas, quartas e sextas-feiras, no Centro de Artes, enquanto às terças e quintas-feiras, a formação foi ministrada pelo encenador Pinto Nsimba, no bairro da Tchavola, na Casa da Juventude local.

A nível da qualidade de espectáculos dos grupos locais, disse, foram produtivos, pela dinâmica apresentada, devido aos resultados positivos dos alunos que frequentaram o curso de Teatro no Complexo das Escolas de Artes, em Luanda, que está a permitir alavancar as artes cénicas na Huíla.

Livros sobre o teatro vendidos e autografados durante o festival

Os livros “A raiva”, “A Grande Questão” e “Teatro da Tarimba”, do dramaturgo Tony Frampênio, foram vendidos durante a sétima edição do Circuito Internacional Teatro (CIT), que decorreu de 24 de Setembro a 2 deste mês, no Centro de Artes, em Lubango, na província da Huíla.

O dramaturgo e encenador disse, ontem, ao Jornal de Angola, que aproveitou a ocasião para vender mais de 50 livros, que trazem análises, já apresentadas no teatro, sobre a problemática sociocultural, política e económica do país, com maior enfoque para Luanda. O autor frisou que aproveitou o momento para trocar experiências no domínio das artes cénicas, em particular do teatro.

“A raiva” e “A grande questão”, sublinhou, falam sobre a problemática social do país, enquanto “Teatro da Tarimba” é um estudo científico resultante do seu trabalho de defesa, na licenciatura em Teatro, que analisa a situação desta arte no país, tendo como “caso de estudo” a Companhia Horizonte Njinga Mbande.

Os livros “A raiva” e “A grande Questão”, esclareceu, já existiam como peças de teatro, na qual identificam a cultura angolana, na interpretação de alguns fenómenos sociais.

Tony Frampênio explicou que durante a estadia, dirigiu, ainda, uma formação psicotécnica  em “Relevância Social do Teatro”, “O Papel Estético do Teatro para a Construção de uma Visão Ética da Sociedade” e “As Dimensões Económica, Política e Sociocultural do Teatro”, cujo objectivo foi  “a construção de discursos valorativos da prática da arte teatral”, argumentou o encenador.

A formação, adiantou, estava programada somente para os grupos e artistas participantes no CIT, mas devido ao elevado número de interessados houve a necessidade de se alargar para o público em geral e académicos, num total de 200 participações. “A  procura dos livros e o número de participantes nas palestras e oficinas superaram às expectativas, o que mostra a ‘cede’ de obter conhecimentos dos fazedores de teatro do Namibe, Huambo e Huíla”, destacou.

Natural do Cuanza-Sul, Tony Frampênio é encenador e investigador, licenciado em Teatro, pelo Instituto Superior de Artes (ISART), e mestrando em Literatura Portuguesa, no Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda.

No teatro desde 1992, já actuou nos grupos Twa Futuca, Makotes e Komba Meneck. Actualmente é membro do grupo Enigma e docente de Actuação, História do Teatro e Estética, no Complexo das Escolas de Artes (CEART) e também no Instituto Superior de Artes (ISART). É, igualmente, o coordenador técnico do Circuito Internacional de Teatro (CIT).

Com o grupo Enigma Teatro recebeu, em 2012, o Prémio Nacional de Cultura e Artes. No mercado tem 23 obras adaptadas ao teatro, com destaque para “A Grande Questão”, “A raiva” e “Há Mar… Há Terra”

Manuel Albano

Revista Destimidos.