05/10/2022  10H04

Camponeses do perímetro irrigado de Cacala no município do Lucala esperam colher 2.540 toneladas de feijão produzidas durante a fase de produção do cacimbo, cujas colheitas começam na primeira quinzena de Outubro, para além de outros alimentos do género das hortaliças.

Segundo o Director do Gabinete municipal da agricultura local, Gildo Barão, a referida localidade possui cerca de 500 trabalhadores, associados em 20 cooperativas, que durante a fase de Cacimbo aproveitam a frescura das baixas para a produção de vários mantimentos.

O Jornal de Angola constactou que apesar da vontade de cada camponês em produzir no campo, aquela classe enfrenta diversas dificuldades, mormente no que toca aquisição de insumos agrícolas, de sementes melhoradas.

Sebastião Paulo e a esposa Joana Paulo, trabalham em Cacala há mais de 20 anos. Na safra do Cacimbo esperam colher, pelo menos 300 quilos de feijão, semeadas em meio hectare. Apesar da disposição, o casal lamenta a falta de apoios para a compra de enxadas, sementes de milho, amendoim e feijão.

Avançam que outro problema prende-se com a falta de possibilidades para o escoamento oportuno dos produtos da zona de produção para os principais pontos de venda, agravado com o avançado grau de degradação das vias de acesso daquela região.

Sebastião Paulo, de 64 anos, está a produzir sete hectares e meio de tomate, para vender em tempo de chuva, fase em que o produto escasseia a nível da província do Cuanza-Norte. Disse que quando a cultura estiver pronta espera colher no mínimo, oito toneladas do referido produto.

O ancião trabalha com 15 funcionários de forma sazonal, que actuam nas áreas do cultivo da terra, plantação, sacha e rega, do estilo gota-gota.

O agricultor reconhece o valor da terra e afirma que neste primeiro ensaio augura por rendimentos satisfatórios.

A terra é boa e tenho fé que teremos uma boa colheita, disse. Segundo Sebastião Pernite o seu maior desejo é fazer agricultura mecanizada, mas os 100 mil kwanzas cobrados por cada hectare lavrado, deitam por terra o seu sonho.

Salientou que para a compra dos meios de produção, conta com a ajuda dos filhos, tendo destacado a vontade de receber apoios das entidades agrárias para aquisição de adubos, catanas, enxadas, sementes e outros meios necessários para a execução da actividade.

Executivo quer melhor aproveitamento dos perímetros irrigados

Atendendo as valências dos perímetros irrigados de Cacala e Coreia-I, no município de Lucala, província do Cuanza-Norte, com o total 640 hectares, o estado pretende estimular o aumento da produtividade das cadeias de valor de milho, feijão, soja, café, ovos e frangos e melhorar o acesso ao mercado do agronegócio a nível da região.

Para a materialização do referido desiderato, o Governo central disponibilizou cerca de oito milhões de dólares norte-americanos, através de um financiamento comparticipado, entre o Banco Mundial e a Agência Francesa de Desenvolvimento.

Com este montante prevê-se a reabilitação das infra-estruturas de irrigação dos dois canais, através da criação de captações com reservatórios elevados, que vão distribuir água aos cinco blocos de irrigação, por meio de condutas de pressão e gravidade.

O especialista de infra-estruturas do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial, PDAC, Victor Marques, frisou que as obras arrancam em Novembro próximo, duram 18 meses, com um total de 60 postos de trabalho. A empreitada vai salvaguardar as políticas ambientais e sociais das duas regiões.

A criação das obras de requalificação dos dois perímetros consta do leque de acções do Estado atinentes a dinamizar a agricultura comercial, através de um financiamento de 230 milhões de dólares americanos, disponibilizados pelo Banco Mundial e Agência Francesa de Desenvolvimento em oito províncias, com o propósito de aumentar a productividade do milho, café, soja, feijão, ovos e frangos. Segundo o Director Provincial da agricultura do Cuanza-Norte, Manuel Domingos, o principal escopo geográfico do projecto, engloba dois corredores rodoviários, que compreendem as províncias de Luanda, Bengo, Cuanza-Norte, Malange, na zona A e Bengo, Cuanza-Sul, Huambo, Bié e Huíla, na posição-B.

Os beneficiários do projecto são agricultores qualificados, pequenas e médias empresas, do agro negócio, que podem beneficiar de apoios directos de assistência técnica, e financiamentos de investimentos, garantias parciais de créditos e investimentos em infra-estruturas.

Revista Destemidos.