24/09/2022 01H38

Os bancos centrais da Noruega, da Suíça e do Reino Unido subiram, quinta-feira, as taxa de juro, um dia depois de Reserva Federal (Fed) ter ordenado um novo aumento das taxas em 75 pontos base, em decisões tomadas pelos reguladores como parte dos esforços para conter a escalada da inflação.

O Banco da Noruega aumentou o juro de referência em 50 pontos base, para 2,25 por cento, quando outros bancos a nível mundial estão também a fazê-lo para reduzirem a inflação.

O Norges Bank indicou que a inflação, que atingiu os 6,5 por cento no mês de Agosto, “aumentou rapidamente nos últimos meses e foi muito superior à previsão”.

Em comunicado, o banco central da Noruega afirmou que “a inflação está efectivamente acima da meta dos 2,0 por cento e há perspectivas de que permaneça alta por mais tempo do que o previsto anteriormente”.

O banco central referiu ainda que “agora há sinais claros de uma economia em arrefecimento” e que “o alívio das pressões sobre a economia contribuirá para conter ainda mais a subida da inflação”.

Ontem, o Banco Nacional Suíço elevou a taxa directora em 0,25 por cento, para 0,5, cujo objectivo é arrefecer a inflação que chegou a 3,5 por cento em Agosto”.

O aumento põe fim a vários anos de taxas de juro negativas na Suíça, uma prova do crescimento estável, ambiente de baixa inflação, com o apelo da Suíça como um porto seguro para activos.

Alguns economistas afirmaram que a Suíça parecia menos vulnerável às pressões inflacionistas, porque o custo de vida no país alpino é relativamente elevado em comparação com os seus principais vizinhos: países da União Europeia.

A inflação nos 19 países que utilizam o Euro atingiu um valor recorde de 9,1 por cento em Agosto.

Um recente aumento do valor do franco suíço em comparação com o Euro, por exemplo, levou muitos consumidores suíços a atravessar a fronteira para países vizinhos, como a França ou a Alemanha, para comprar gasolina e outros bens de consumo que são relativamente menos caros nesses países.

O Banco de Inglaterra subiu as taxas de juro de 1,75 para 2,25 por cento, o nível mais alto desde Dezembro de 2008, devido ao aumento contínuo da inflação.

Numa nota divulgada ontem, o Banco de Inglaterra (Bank of England, BOE) afirma que na reunião que terminou em 21 de Setembro e que estava prevista para 14 de Setembro, mas adiada devido à morte da rainha Isabel II, o Comité de Política Monetária (Monetary Policy Committee, MPC) votou para aumentar a taxa, para 2,25 por cento.

No Relatório de Política Monetária de Agosto, o MPC observou que os riscos em torno das projecções, tanto de factores externos como domésticos, eram excepcionalmente grandes, dado o aumento muito grande dos preços do gás por grosso desde Maio e os consequentes impactos nos rendimentos reais das famílias do Reino Unido e na inflação.

As principais bolsas europeias estavam, ontem, em baixa, depois da Fed ter subido, na quarta-feira, as taxas em 75 pontos base, anunciando que vão continuar a subir.

Na sequência da decisão da Fed, o euro caiu para 0,9834 dólares, um mínimo desde Novembro de 2002, e as taxas directoras da Fed passaram a estar no intervalo entre 3,0 e 3,25 por cento, o nível mais alto nos últimos 14 anos.

A Fed confirmou que vai continuar a subir as taxas de juro até que a inflação esteja controlada e antecipou que o preço do dinheiro alcance 4,4 por cento em finais de 2022, acima do previsto em Junho, e 4,6 em 2023.

Revista Destemidos.