O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a libertação da médica, assegurando que continuará a “trabalhar para libertar” toda a Ucrânia.

18/06/2022 .  13H38

Yuliia Paievska, a médica que divulgou imagens do ‘horror’ de Mariupol terá sido libertada, esta sexta-feira. A informação, avançada pela Associated Press (AP), surge após três meses de a voluntária ter sido capturada pelas forças russas nas ruas da cidade portuária, a 16 de Março.

Recorde-se que Paievska filmou 256 gigabytes de vídeos dos ‘horrores’ que ocorriam na região com recurso a uma câmara de corpo, que entregou a jornalistas daquela agência noticiosa, a 15 de Marco, um dia antes de ser capturada com um colega.

As imagens, que mostram a médica e a sua equipa a salvar tanto soldados ucranianos, como russos, foram contrabandeadas num tampão menstrual, acabando por correr o mundo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a libertação da médica, assegurando que continuará a “trabalhar para libertar” toda a Ucrânia.

“Estou particularmente feliz por anunciar que conseguimos libertar a médica e voluntária ucraniana Yuliia ‘Taira’ Paievska do cativeiro, já está em casa. Continuaremos a trabalhar para libertar todo o nosso povo e obter decisões ainda mais positivas para a Ucrânia”, afirmou, no seu habitual discurso à nação.

“Foi uma grande sensação de alívio. São palavras banais, mas nem sei o que dizer”, confessou Vadim Puzanov, marido de Paievska, à AP, adiantando já ter conversado com a esposa, que estava a caminho de um hospital em Kiev.

A Federação Russa alegava que a médica tinha ligações ao batalhão Azov, conhecido pelas suas inclinações neo-nazis, uma afirmação em linha com a necessidade de “desnazificar” a Ucrânia. Contudo, a AP não encontrou provas que comprovassem essas declarações.

Na verdade, os vídeos gravados por si em Mariupol atestam os seus esforços para salvar os feridos de ambos os lados. Um deles, capturado no dia 10 de Março, mostra dois soldados russos a ser retirados de uma ambulância por um membro das tropas ucranianas – um sentado numa cadeira de rodas, e outro de joelhos, com as mãos atadas atrás das costas, e visivelmente ferido na perna.

Depois de um soldado ucraniano insultar um deles, a médica surge a pedir-lhe para se acalmar.

“Vai tratar os russos?”, pergunta uma mulher, citada pela agência.

“Eles não serão tão gentis connosco. Mas não poderia fazer o contrário. São prisioneiros de guerra”, respondeu Paievska.

Membro dos jogos Invictus para veteranos da Ucrânia, ‘Taira’ recebeu a câmara de corpo em 2021, para filmar um documentário sobre personalidades inspiradoras, com produção do Príncipe Harry, fundador dos jogos Invictus. No entanto, com o brotar da guerra, a médica usou-a para capturar imagens dos civis e dos soldados feridos.

Lançada a 24 de Fevereiro, a ofensiva militar russa na Ucrânia já provocou a fuga de mais de 15 milhões de pessoas – mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 7,5 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Além disso, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A ONU confirmou ainda que 4.452 civis morreram e 5.531 ficaram feridos na guerra, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

A invasão russa – justificada pelo presidente russo pela necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os sectores.

Revista Destemidos