Pode passear, fazer caminhadas, andar de bicicleta – mas não pode conduzir –nestes destinos interditos a automóveis.

17.06.2022 23:32

Hoi An, Vietnam

Transeuntes passeiam pela Cidade Velha de Hội An, no Vietname. Este antigo porto comercial fluvial (séc. XV ao séc. XIX), é um dos muitos destinos pelo mundo inteiro que proíbem ou limitam bastante o movimento de veículos.

FOTOGRAFIA POR MATTHEW MICAH WRIGHTGETTY IMAGES

Estima-se que em 2021 cerca de 100 milhões de pessoas fizeram-se à estrada para passar férias. Nos Estados Unidos, 77% dos americanos dizem sentir-se confortáveis para viajar este ano, 60% dos quais afirmam que o aumento dos preços da gasolina e do aluguer de automóveis vai afetar os seus planos.

Escolher um destino livre de veículos é uma forma de economizar na gasolina e ajudar ao mesmo tempo a salvar o planeta. Os lugares que interditam, ou pelo menos restringem, os veículos motorizados vão desde os locais mais conhecidos (como Veneza, em Itália, a maior zona pedonal do mundo), até Geithoorn, nos Países Baixos, e ilha Holbox, no México.

Umas férias longe da agitação do trânsito podem ser mais relaxantes. “Viajar sem um veículo alivia o stress de encontrar caminhos à última da hora, as dores de cabeça para encontrar lugares de estacionamento nos centros movimentados das cidades, e permite às pessoas abrandar e mergulhar num destino ao ritmo de uma caminhada”, diz Paul Melhus, CEO e cofundador da Tours By Locals, que organiza viagens a zonas livres de automóveis, incluindo a Dubrovnik na Croácia, à Ilha do Governador em Nova Iorque e ilha Hidra, na Grécia.

Eis 10 locais onde pode esquecer as quatro rodas e começar a desligar de imediato.

Tunø, Dinamarca

Habitada desde a Idade da Pedra e com uma área de pouco mais de 3.6 quilómetros quadrados, a ilha de Tunø na Dinamarca é fácil de explorar a pé, bicicleta, motorizada ou traxas, os táxis-trator da ilha. Os viajantes chegam à ilha de ferry através de uma rota cénica de uma hora a partir de Hou (na Costa Odder da Jutlândia), podendo avistar focas e botos ao longo do caminho.

Coberta por colinas verdejantes que se elevam acima de praias arenosas e rochosas, esta ilha atrai caminhantes e observadores de aves. As melhores vistas são a partir da torre da Igreja de Tunø do século XIV, uma combinação invulgar entre capela e farol rodeada por macieiras e amoreiras.

Tunø tem vários restaurantes e uma micro-cervejaria, bem como uma antiga fábrica de laticínios à beira-mar que foi convertida em pousada relaxante a preços acessíveis.

Ilha Mackinac, EUA

Mackinaw, Michigan

A arquitetura vitoriana e a atmosfera antiquada são os grandes atrativos da ilha Mackinac, no Michigan. Os carros são proibidos, pelo que os turistas circulam pela ilha – que tem menos de 10 quilómetros quadrados – a pé, de bicicleta ou numa carruagem puxada por cavalos.

FOTOGRAFIA POR WILTSERGETTY IMAGES

Localizada no lago Huron, entre as penínsulas superior e inferior do Michigan, a ilha Mackinac é um local muito popular para férias desde o final do século XIX. Mais de 80% desta ilha, que tem menos de 10 quilómetros quadrados, está coberto pelo Parque Estadual da Ilha Mackinac, incluindo os seus trilhos naturais e conservatório de borboletas.

Os edifícios históricos no centro da cidade, que parecem saídos de um cartão postal, têm lojas e restaurantes, incluindo o café/escola de arte Watercolor Café e o Ice House BBQ com um amplo jardim. As sete confeitarias da ilha produzem mais de 4.500 quilos de fudge por dia.

Grand Hotel, construído em 1887 e lar da varanda frontal mais comprida do mundo, acaba de adicionar às suas instalações uma nova ciclovia de BMX, um campo de minigolfe, campos de pickleball e uma estufa natural.

Medina de Fez, Marrocos

Um dos maiores locais contíguos urbanos sem veículos do mundo, a Medina de Fez, a rondar os 280 hectares, é Património Mundial da UNESCO e a cidade medieval mais bem preservada de Marrocos. As suas 9.400 ruas estreitas e sinuosas estão abertas apenas ao tráfego pedonal e aos burros. Para além dos famosos souks – que vendem comida, especiarias, candeeiros e couro – esta almedina abriga palácios, mesquitas, fontes e escolas seculares.

O Bab Boujloud (portão azul), é a entrada principal da cidade velha. O palácio museu Dar Batha tem uma excelente coleção de artefactos locais, sobretudo têxteis e bordados, para além de um jardim com pátio em mosaico e uma fonte.

Pode ficar hospedado num dos muitos riads da cidade, mansões históricas que foram transformadas em hotéis chiques. Apesar de os não-muçulmanos não poderem entrar na maioria das mesquitas, a biblioteca da ornamentada Mesquita de Al Quaraouiyine está aberta ao público.

Trogir, Croácia

Trogir, Croatia

A Catedral de São Lourenço, do século XIII, ergue-se sobre a cidade velha de Trogir, na Croácia. Esta ilha é Património Mundial da UNESCO devido à sua riqueza de edifícios medievais e barrocos.

FOTOGRAFIA POR ROBERT HARDINGALAMY STOCK PHOTO

Esta pequena povoação insular no Adriático, Património Mundial da UNESCO com raízes helenísticas (323-33 a.C.), apresenta uma arquitetura desde o romano ao barroco. Localizada a uma hora a oeste de Split – acessível de autocarro, táxi ou ferry – Trogir é uma pitoresca cidade com ruas de calçada e edifícios medievais bem preservados. O mais relevante destes edifícios pode ser a Catedral de São Lourenço, do século XIII, com o seu campanário de 45 metros, três naves e um portal de pedra com imagens primorosamente esculpidas de Adão e Eva.

A curta, mas deslumbrante, marginal à beira-mar está repleta de palmeiras, marisqueiras e cafés. O guia local Dino Ivančić até brinca: “Não consigo acompanhar todas as pessoas. Parecem cogumelos a brotar depois da chuva.” No verão, realizam-se aqui vários festivais de música.

Se quiser desfrutar das praias ensolaradas do Adriático – pelas quais a Croácia é muito conhecida – a praia de Čiovo fica a uma curta caminhada ao longo de uma ponte pedonal.

Ilha Little Corn, Nicarágua

A ilha Little Corn foi outrora frequentada por piratas e parece um paraíso tropical perdido. Isto acontece porque, para chegar aqui, é preciso fazer um voo para a ilha Great Corn, que fica a cerca de 80 quilómetros ao largo da Nicarágua, isto depois de um passeio de barco de 13 quilómetros nas Caraíbas.

Apesar de o turismo ser o maior negócio na ilha Little Corn, a época alta continua livre de multidões. Pode caminhar por esta ilha minúscula à sombra de árvores de manga, coqueiros e outras. Ou pode descansar numa cama de rede na praia à sombra das palmeiras. Se não tiver medo de alturas, suba a escada vertical de metal até ao topo do Farol de Little Corn, uma torre sem luz com vistas impressionantes da ilha e de um pôr do sol colorido.

Os trilhos para caminhadas e para cavalgar dirigem-se para a selva e ao longo da costa. As águas idílicas em torno de Little Corn podem ser exploradas de caiaque, paddleboard ou Miskito, um tipo primitivo de veleiro de madeira que tem o nome dos indígenas que o criaram.

Ilha Porquerolles, França

Uma viagem de barco de 10 minutos que zarpa da Cote d’Azur leva os amantes da natureza e da história até Porquerolles, a mais visitada das chamadas Ilhas Douradas francesas. Os trechos intocados de areia, as falésias de calcário e a vegetação exuberante podem ser explorados através de trilhos para caminhadas e ciclismo que cruzam uma ilha aparentemente parada no tempo – 80% da qual forma o Parque Nacional Port-Cros. As praias, incluindo a isolada Notre Dame, podem ser alcançadas por ferry, a pé ou pelas muitas e-bikes disponíveis para alugar.

Faça um passeio pelos jardins e várias fortalezas históricas, incluindo o Forte de Sainte-Agathe do século XIV. A Villa Carmignac, uma quinta provençal transformada em museu, tem uma exposição de arte contemporânea que abrange mais de 1950 metros quadrados.

A vila principal, fundada no século XIX, engloba a maior parte dos 22 restaurantes e inúmeras lojas da ilha. As opções para pernoitar também são muito variadas, desde hotéis chiques a vivendas e até casas flutuantes. Este local atrai milhares de visitantes diariamente no verão, tornando a primavera ou o início do outono na melhor época para visitar.

Ilhas do Canal, Califórnia, EUA

Os observadores de vida selvagem, praticantes de caiaque e caminhantes encontram uma natureza livre de carros e multidões no Parque Nacional das Ilhas do Canal, uma zona ventosa na Califórnia. Cinco das oito pequenas ilhas deste arquipélago, ao largo da costa de Santa Bárbara, podem ser acedidas de avião ou barco particular, ou através dos ferries que operam várias vezes por semana. Esta viagem pelo Pacífico demora entre uma e quatro horas em cada sentido; à chegada, precisa de levar a sua própria água – e uma tenda, se quiser passar a noite.

(Descubra um trilho épico de peregrinação que contorna a Ilha do Príncipe Eduardo.)

O isolamento e uma mistura única de águas oceânicas quentes e frias alimentam a biodiversidade destas ilhas em terra e no mar. Nas profundezas das ilhas de Santa Cruz, Santa Bárbara e Anacapa, os mergulhadores podem ver robalos gigantes e moreias da Califórnia no meio de florestas de algas e cavernas marinhas. Os trilhos de caminhada de maior destaque incluem uma caminhada plana até à Praia de Water Canyon na Ilha de Santa Rosa e uma jornada cansativa de 25 quilómetros na enevoada ilha de San Miguel, sendo aconselhada a utilização de um guia.

Os observadores de aves visitam as ilhas para avistar gaivotas-ocidentais, cormorões-de-brandt, tordas-de-scripps e a única população em nidificação de pelicanos-castanhos da Califórnia ao longo da costa oeste.

Hoi An, Vietname

Hoi An, Vietnam

A Chua Cau, mais conhecida por Ponte Coberta Japonesa, é uma estrutura de madeira que data do século XVI e figura entre as atrações históricas da cidade velha de Hội An, no Vietname.

FOTOGRAFIA POR PETER FORSBERGALAMY STOCK PHOTO

Cénico e compacto, Hội An é um antigo porto comercial colonial no rio Thu Bồn, na região centro do Vietname. A Cidade Velha do porto, Património Mundial da UNESCO, tem cerca de mil edifícios que datam dos séculos XV a XIX, incluindo lojas e pagodes. Qual é o local mais fotografado? Uma ponte japonesa com 400 anos que, segundo reza a lenda, foi construída para evitar que o mítico monstro japonês Namazu provocasse terramotos.

Neste local, as noites são iluminadas por lanternas; mas os dias são agitados com as visitas intermináveis de barco, aulas de culinária ou visitas a um dos alfaiates lendários de Hội An, que pode preparar um vestido ou terno personalizado em 48 horas.

Restabeleça energias com um café doce vietnamita ou banh mi; e Hội An é considerada a capital das sandes. Existem inúmeras opções de hospedagem, incluindo a nova Hội An May Village e a Hội An Riverland Villa.

Pontevedra, Espanha

Em Espanha, a menos de uma hora de carro a sudoeste de Santiago de Compostela, Pontevedra (capital de uma província galega com o mesmo nome) ficou sem carros em 1999, um esforço ajudado por um programa governamental que criou 1.600 lugares de estacionamento gratuitos no perímetro.

Agora, os viajantes podem percorrer a Cidade Velha de Pontevedra de uma ponta à outra numa caminhada de 25 minutos, contemplando belos edifícios de pedra, incluindo a Basílica de Santa Maria ao estilo gótico e a Igreja da Virgem Peregrina em forma de barril, que guia os viajantes ao longo da rota portuguesa do Caminho de Santiago.

(As peregrinações podem ser a próxima tendência de viagem pós-COVID.)

Museu de Pontevedra exibe moedas celtas, iconografia religiosa e pinturas contemporâneas. A praça central arborizada da cidade, a Plaza de la Herrería, está rodeada por restaurantes e bares, a maioria serve os vinhos brancos das vizinhas Rías Baixas. Depois de almoço, aproveite para caminhar sobre o rio Lérez através da Ponte do Burgo, uma travessia medieval construída sobre uma travessia romana.

Ilha Rottnest, Austrália

A imensidão de água e a vida selvagem são os grandes atrativos da ilha Rottnest (“Rotto” para os habitantes locais), que fica a uma curta viagem de ferry na costa oeste da Austrália, a partir de Perth, e passa por recifes de coral e naufrágios. Nas  dezenas de praias desta ilha pode nadar, fazer mergulho, andar de bicicleta aquática e desfrutar de outras diversões marinhas. Os passeios nos barcos com fundo de vidro revelam a vida marinha, como os roazes-corvineiros e 400 espécies de peixes.

A ilha Rottnest (com uma área a rondar os 11 por 5 km) é pequena o suficiente para explorar numa caminhada de um dia, mas é melhor visitar o local através dos autocarros que circulam pela ilha, ou numa e-bike ou Segway. Também pode explorar enseadas escondidas e pântanos ricos em aves marinhas na Wadjemup Bidi, uma rede com mais de 40 km de trilhos para caminhada. Fique atento aos quokkas, cangurus nativos que alguns dizem ser os animais mais felizes do mundo.

O povo indígena Whadjuk Noongar habitou esta ilha há milhares de anos e os pontos de referência relacionados com a sua cultura são a grande atração das visitas organizadas pela GoCultural’s Aboriginal Tours and Experiences.

Robin Catalano é uma escritora de viagens sediada em Hudson Valley. Pode encontrá-la no Twitter and Instagram.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Revista Destemidos.