16.06.2022 23H31

Os líderes dos países do BRICS. Da esquerda para a direita: o presidente chinês, Xi Jinping; o presidente russo, Vladimir Putin; o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro; o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi; e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 16.06.2022

Na data de celebração do encontro que selou a aliança entre os cinco países, a Sputnik Brasil explica a evolução do BRICS nos últimos anos e as perspectivas do grupo em uma nova ordem mundial. Segundo especialistas, a atual conjuntura política e econômica global reforça a necessidade de ampliação e unidade.

Treze anos separam dois mundos distintos. O planeta é o mesmo, mas o momento, os interesses e as disputas no tabuleiro global são outros. Em 16 de junho de 2009, os então líderes de Brasil, Rússia, Índia e China realizaram, na cidade russa de Ekaterinburgo, a primeira cúpula do BRIC. Quase uma década e meia depois, com a incorporação da África do Sul, em 2011, os presidentes Jair Bolsonaro, Vladimir Putin, Xi Jinping e Cyril Ramaphosa e o primeiro-ministro Narendra Modi se preparam para a próxima reunião do BRICS, de forma virtual, no dia 24.

Se naquela época as nações emergentes visavam à integração e à expansão financeira na esteira da crise de 2008, atualmente o agrupamento busca uma reaproximação e maior resistência às adversidades e hostilidades geopolíticas.

Para Ana Elisa Garcia, diretora do think thank BRICS Policy Center vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI/PUC-Rio), as mudanças em 13 anos se deram tanto do ponto de vista da economia global e das relações internacionais como da conjuntura política e econômica de cada um dos membros do grupo.

Ela lembra que, em 2009, os países impulsionavam o crescimento econômico por meio de grandes projetos, instituições fortes e bancos públicos e de desenvolvimento, em meio à crise internacional provocada pela explosão da bolha financeira nos Estados Unidos.

“Hoje o momento é muito diferente. O BRICS deixa de ser um grupo fortemente voltado à agenda econômica, à maior participação nas instituições financeiras multilaterais, como o FMI [Fundo Monetário Internacional], para ter um aspecto geopolítico mais preponderante”, afirmou Garcia à Sputnik Brasil.

Cerimônia de Encerramento do Fórum Empresarial do BRICS (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 15.06.2022
Cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial do BRICS. Foto de arquivo

Segundo a especialista, o ponto de virada ocorreu antes mesmo do conflito na Ucrânia. Com a evolução tecnológica e militar da China, os EUA passaram a ter uma postura mais agressiva na Ásia, explica a diretora do BRICS Policy Center. Sob a justificativa de defender a segurança nacional, Washington vem promovendo alianças na região e ampliando o cerco econômico a Pequim.

A crise ucraniana consolida, então, a preocupação ocidental com o BRICS e seus membros, de uma maneira que não havia no passado, aponta Garcia.

“As forças do Ocidente não estão necessariamente abertas ao diálogo, mas forçadas a dialogar. Temos visto a velha tática de dividir para reinar, como a tentativa dos EUA de cada vez mais se aproximar da Índia, não só politicamente, mas também do ponto de vista econômico, até mesmo na pandemia”, afirma.

Com relação ao Brasil, os EUA mantiveram relativo distanciamento, na visão da especialista. Mesmo no período em que Donald Trump esteve no poder concomitantemente a Bolsonaro, apesar do alinhamento ideológico, “não era central ou importante” uma aliança com o Brasil, segundo ela.

“No momento mais grave da crise com a Venezuela, o Brasil não apoiou uma possível intervenção americana, para evitar uma crise no continente. Com a África do Sul, não vemos uma aproximação tão grande, apesar das tentativas de contrapor a expansão da China no continente africano. Já China e Rússia foram mantidas em um lado mais hostil, com mais desconfiança”, disse.

Revista Destemidos.