15.06.2022 11H33

Dezenas de milhares de angolanos foram torturados, com execuções sumárias em 1977, depois de um alegado golpe de Estado falhado. mandados para campos de concentração e fuzilados sem julgamento neste período negro da história angolana. Vamos tentar saber mais sobre o que aconteceu.

Conflitos políticos ocorridos entre 11 de novembro de 1975 e 4 de abril de 2002. onde em Luanda depois do 27 de Maio 1977, os apoiantes de Nito Alves, os chamados “fraccionistas”, são perseguidos e pelo governo de Agostinho Neto, o primeiro presidente de Angola.

Os restos mortais de algumas vítimas do 27 de maio de 1977, incluindo “Nito Alves”, foram entregues às respetivas famílias. Ministro angolano da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, apela à reconciliação.

Cerimónia de homenagem às vítimas dos conflitos políticos, maio de 2021

A cerimónia de entrega dos restos morais de Nito Alves, Jacob João Caetano (‘Monstro Imortal’), Ilídio Ramalhete e Arsénio José Lourenço (‘Sianuk’) decorreu na manhã quarta-feira (08.06) no quartel-general das Forças Armadas Angolanas.

Políticos e familiares testemunharam o ato enquadrado no plano do Governo de homenagem às vítimas dos

Ao discursar na cerimónia, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da Comissão de Reconciliação e Memória das Vítimas (CIVICOP), Francisco Queiroz, descreveu o momento como sendo de “grande significado” para o processo de reconciliação entre os angolanos.

Não se pretende apagar da história os tristes acontecimentos do 27 de maio. Pretende-se, sim, cumprir um dever de justiça para com as famílias e prestar uma merecida homenagem aos que tombaram naquele conflito político, para que nos lembremos sempre deste passado, salientou.

Francisco Queiroz: Não é hora de indagar das razões, por que cada um matou ou foi morto. É hora de abraçar e perdoar. É hora de nos reconciliarmos.

Francisco Queiroz pediu que se feche agora um capítulo, remetendo para o passado a discussão sobre os motivos das execuções sumárias em 1977, depois de um alegado golpe de Estado falhado.

Não é hora de saber em que ideia acreditava cada um dos que morreu. Não é hora de indagar das razões, por que cada um matou ou foi morto. É hora de abraçar e perdoar. É hora de nos reconciliarmos, apelou o governante angolano.

Houve rigor científico

O Governo prevê entregar as ossadas de outras vítimas nos próximos meses. Ainda estão por entregar os restos mortais dos músicos David Zé, Artur Nunes e Urbano de Castro, entre outras personalidades. 

Está a decorrer uma investigação para determinar o ADN de outras vítimas cujos restos foram encontrados junto aos que foram entregues oficialmente às suas famílias.

processo levantou dúvidas em alguns círculos da sociedade angolana. Mas o presidente da Fundação 27 de Maio, o general Silva Mateus, um dos sobreviventes das execuções sumárias, garante que as ossadas entregues às famílias correspondem ao ADN das vítimas.

Quem diz que são ossos de macacos são os nossos detratores, que perderam a luta. Dizem que não são as pessoas indicadas. Mas são. Houve rigor científico. Acompanhámos a remoção das ossadas e sabemos que são eles mesmo que estão nestas urnas”, disse o responsável.

Funerais na segunda-feira

O momento de entrega dos restos mortais foi de comoção para as famílias, que realizarão os funerais na segunda-feira (13.06).

Floribela Caetano João Jacob, filha de ‘Monstro Imortal’, afirma que, agora, a família vai recuperar a honra perdida há mais de 40 anos: “Vou poder levantar a cabeça, porque não foi fácil durante este tempo. Tínhamos praticamente que nos ocultar. Podíamos conversar com as pessoas, mas tínhamos que nos abster porque, quando se falava do 27 de maio, éramos discriminados.

Nito Alves, sobrinho do então ministro de Administração Interna, Alves Bernardo Baptista “Nito Alves”, diz que, apesar de ser difícil gerir o assassinato do seu ente querido, a família está disponível para contribuir para o processo de reconciliação nacional.

O próprio Alves Bernardo Baptista ensinou-nos que o ressentimento, o ódio, a calúnia e a intriga são elementos contrários à reconciliação nacional. Então, estamos aqui para abraçar e perdoar, explicou.

Revista Destemidos.