13.06.2022 12H53

Luena, 11 de Junho de 2022.

Moyowenu Luena,

Moyowenu Moxico,

Moxico Ji, Ji

Angola Ji, Ji

MPLA Ji, Ji

Caros Camaradas,

É sempre muito gratificante, para mim, voltar a estas terras, já consideradas as terras da paz. E não só pela paz – um grande bem para o povo angolano-, paz essa que praticamente iniciou nesta cidade do Luena, com os Acordos de Luena, mas também pelo facto de o povo do Moxico ter dado ao longo dos anos, e nos momentos mais difíceis, um grande contributo à luta de libertação.

Foram muitos os combatentes desta província que lutaram e tombaram para que Angola fosse independente, assim como também foi grande o contributo desta província para que Angola alcançasse a paz.

Caros camaradas,

Já não é novidade para ninguém que vamos ter eleições no dia 24 de Agosto.
É um passo importante na história do nosso país, em cumprimento da Constituição que estabelece que, em cada cinco anos, o país deve dar aos cidadãos, aos eleitores, a oportunidade de serem eles a decidir quem os deve governar nos cinco anos seguintes.

Neste processo de preparação das eleições houve muitos passos, passos que foram dados e passos que ainda serão dados por várias instituições e organizações, incluindo partidos políticos, até que cheguemos ao tão esperado dia 24 de Agosto.

Entre estes passos, consta a obrigatoriedade de os partidos políticos que desejem concorrer às eleições aprovarem, ao seu nível, do partido, e darem entrada, junto do Tribunal Constitucional, de documentos importantes mas, sobretudo, da lista de candidados à Assembleia Nacional, lista essa em que o candidato a Presidente da República e o candidado a Vice-Presidente da República são as duas principais figuras que devem constar da mesma lista.

De mim não falo. Talvez porque não haja necessidade de falar, e até por uma questão de modéstia, que sejam outros a falar de mim e não eu próprio. Mas vou falar do candidato ao lugar de Vice-Presidente da República.

Nós, a nível do nosso partido, dos órgãos competentes do Comité Central, já fizemos a nossa escolha. E, desta vez, a nossa escolha
foi a favor de uma senhora, foi a favor da Mulher, por quem muito temos feito, ultimamente, no sentido de não a deixar para trás, no sentido de procurarmos, sempre que possível, colocarmos a mulher angolana, não só do MPLA, a mulher angolana, ao mesmo nível do homem.

Infelizmente, não pudemos trazer a candidata. A candidata não está aqui entre nós, para que eu a pudesse apresentar, por estar a cumprir uma missão de Estado fora do país. Uma missão importante que a impossibilita de estar aqui, na cidade do Luena, hoje. Mas ela vai ser suficientemente conhecida. Até chegarmos ao dia 24 de Agosto, ela vai ser suficientemente conhecida nesta condição de candidata a Vice-Presidente da República.

Caros camaradas,

Nós, desta vez, não só fizemos esta escolha importante para um cargo que tambem é a segunda personalidade do país, depois do Presidente da República, como também evitamos cair naquilo que seria de esperar, naquilo que seria o habitual. A que é que me refiro? Era esperado que nós fôssemos buscar alguém que fez carreira no aparelho do partido. Alguém que foi primeiro secretário municipal, depois passou a primeiro secretário provincial, depois passou a membro do secretariado do Bureau Político, depois secretário-geral, depois vice-presidente do partido. Portanto, um quadro do aparelho.

Nós, desta vez, fugimos àquilo que seria o normal, que era ir buscar uma dessas figuras. Fomos buscar alguém que, sendo militante do MPLA, sendo membro da direcção do MPLA, mas não é ninguém com carreira dentro do MPLA. É alguém que fez carreira no mundo académico, no mundo científico, na investigação, e isso é um sinal que nós queremos passar para a sociedade, de que nós trabalhamos com todos e os bons quadros no partido não são só aqueles que fazem carreira dentro do partido.

Ali onde o quadro estiver, onde o militante estiver… Portanto, para nós, a condição fundamental é que seja militante. Até ser membro da direcção do partido não é tão relevante assim. A condição fundamental é ser militante. E ali onde ele estiver, como engenheiro, como médico, como agrónomo, como mecânico ou em qualquer outra profissão que seja útil à nossa sociedade, esse quadro é importante para nós e devemos promover.

Portanto, caros camaradas,
o país vai ter uma Vice-Presidente da República que vem do mundo da ciência, vem do mundo académico, que vai falar com os homens da ciência e com os homens da vida académica de igual para igual, que vai estar nesses meios mais à vontade do que eu, se calhar, porque ela é de origem desse mundo.
🔴⚫🟡MPLA

Nós queremos desenvolver o país, e não é possível desenvolver o país sô com políticos. A única forma de desenvolver o país é com a ciência. A ciência é que desenvolve o país, não são os políticos.

Os políticos procuram fazer as opções políticas correctas. Esta é a missão dos políticos. Mas daí para frente a política cede o lugar ao saber, à técnica, à ciência, e é o que procuramos fazer com essa indicação. 🔴⚫🟡MPLA

Caros camaradas,

Para além da lista de candidatos a deputados, os partidos políticos também preparam um documento importante a que se chama Programa de Governo onde, em linhas gerais, dizem o que se comprometem fazer, em prol do bem estar do povo angolano, em caso de vitória. Este documento é importante e regra geral, é dado a conhecer à sociedade.

A sociedade passa a conhecer o Programa de Governo de cada partido concorrente, pelo menos aqueles que concorrem às eleições. E devo dizer que, nesse programa, o destaque é, sem sombra de dúvidas, a necessidade da aposta nas infra-estruturas.

O Estado tem a responsabilidade de olhar e cuidar das infra-estruturas do país. Infra-estruturas, quero dizer, energia, água, estradas, pontes, caminhos de ferro, transporte, enfim, as infra-estruturas para a saúde, para a educação, para o ensino superior. 🔴⚫🟡MPLA

Isso é responsabilidade do Estado. Mesmo que o Estado para as executar contrate empresas privadas, regra geral é assim. Mas quem tem responsabilidade de fazer um diagnóstico e ver que infra-estruturas são necessárias, aqui e ali, para que o sector privado possa cumprir com a sua parte, e para que as populações beneficiem, é o Estado. 🔴⚫🟡MPLA

Nós anunciámos há dias, numa entrevista colectiva que demos em Luanda, que infra-estruturas principais é que nos propusemos realizar nos próximos cinco anos. Isso a nível do país, a nível de Angola. Mas eu, estando no Moxico, é evidente que gostaria de falar também das infra-estruturas a realizar nesta província do Moxico no próximo mandato. 🔴⚫🟡MPLA

O país tem um caminho-de-ferro e, por sinal, o principal do país, que nasce no Lobito e termina no Luau, em território nacional. Mas depois continua em territórios dos países vizinhos.

Paralelamente a este caminho-de-ferro, a esta linha, há uma estrada nacional que igualmente sai do Lobito, só que morre praticamente na cidade do Cuito, Bié. Daí para frente quem quiser chegar ao Luena, Leua, ao Luacano, ao Luau, só tem uma possibilidade. Não tem alternativas. Ou anda de comboio ou então não faz a viagem. E, por esta razão, por muitos comboios que a direcção do CFB coloque à disposição, nunca serão suficientes.🔴⚫🟡MPLA

Os comboios estão sempre superlotados, é ou não é? A viagem acaba por nunca ser cómoda. Se num espaço para 50 pessoas estiverem 200, é evidente que a viagem não pode ser cómoda. Então, nós pretendemos dar continuidade a essa estrada que praticamente pára no Cuito e levá-la até ao Luau.

Portanto, no território do Bié, vamos estender essa estrada, prolongar essa estrada do Cuito-Bié ao Munhango, passando por Camacupa, isso em território da província do Bié. Em território do Moxico, vamos construir a estrada Munhango-Luau, passando pelo Luena, Leua, Luacano, Lumeje-Cameia, e culminar no município do Luau.

Realmente, isso vai dar emprego. Vai dar emprego e vai dar possibilidade de quem tiver o seu carro puder fazer o mesmo trajecto de carro ou de autocarro. As companhias de transporte público com certeza que vão ter mais um nicho de negócio aí, transportando os cidadãos nesse troço que acabei de referir.

Eu ontem recebi as autoridades tradicionais do município do Alto Zambeze. Conversei com elas assuntos diversos, mas eles colocaram-me, com alguma acutilância, a necessidade de prestarmos atenção às estradas daquele município, aquele município que está quase ilhado, ou seja, está quase sem comunicação com o resto da província. Isso porque a principal, não diria a única, mas a principal saída desse município – saída e entrada, ou entrada e saída, é o trajecto Luau-Cazombo, passando pelo Marco 25, cuja estrada está num estado de avançada degradação, o que impossibilita praticamente a utilização dessa mesma via.

Nós já mobilizámos recursos e empresas para atacarem essa obra, particularmente do Marco 25 ao Cazombo, que é a sede do município, mas não vamos ficar por aí. A ligação Cazombo-Cangamba também não está boa e também será atacada.

Mas vamos pegar também a estrada Lucusse, Lumbala Caquengue, Cazombo, para criarmos uma alternativa ao Luau-Cazombo. Quem estiver aqui na cidade do Luena, não faz muito sentido ir até ao Luau para chegar a Cazombo. Faz muito mais sentido ir até ao Lucusse, aqui a sul do Luena, fazer Lucusse, Lumbala-Caquengue- Cazombo.

Ainda em termos de estradas, há um troço que de alguma forma já nos envergonha, e é um troço curto, que liga as duas províncias: Moxico e Lunda Sul. Nós vamos concluir esse troço, relativamente pequeno, Dala-Saurimo, para permitir que de Saurimo se possa chegar comodamente ao Luena e vice-versa, e do Luena para Saurimo.🔴⚫🟡MPLA

Caros camaradas,

Estamos todos recordados que há relativamente pouco tempo perdemos o Hospital Municipal do Luau. Por uma calamidade natural, perdemos o hospital Municipal do Luau, e a exemplo do que fizemos em relação ao Hospital de Ondjiva, que teve um incêndio e numa questão de minutos perdemos aquele hospital, começámos de imediato a construir um outro hospital. E Ondjiva vai ter um novo hospital para substituir o que foi destruído pelas chamas. A exemplo do que se passa ali naquela província do Cunene, a nossa reacção face a este contratempo, da perda do Hospital Municipal do Luau, foi iniciar imediatamente a reconstrução do hospital. Mas não estamos só a reconstruir; estamos a reconstruir, a ampliar e a modernizar.🔴⚫🟡MPLA

Quando entregarmos o Hospital Municipal do Luau às populações, ele vai ser maior e muito melhor equipado, com uma capacidade maior de resolver os problemas da saúde das populações daquele município. E isso vai acontecer ainda este ano. Não é o inicio da obra. Vai acontecer este ano a conclusão e entrega da obra.🔴⚫🟡MPLA

Caros camaradas,

Falando ainda do Luau: Luau é o município fronteiriço que liga a um país irmão, vizinho, a República Democrática do Congo. E o Governo decidiu, nestas localidades fronteiriças com países vizinhos, construir aquilo que nós chamamos “Plataforma Logística”, para facilitar o comércio transfronteiriço entre os dois países.🔴⚫🟡MPLA

Nós temos uma fronteira muito extensa com a República Democrática do Congo. São mais de dois mil quilómetros. Portanto, plataformas logísticas com este país, a RDC, teremos não apenas a do Luau, mas outras, de outras províncias do nosso país que igualmente fazem fronteira com o país vizinho.🔴⚫🟡MPLA

Para dizer que o concurso público para construção e gestão destas plataformas logísticas transfronteiriças para algumas destas províncias, já está a decorrer e uma delas é essa do Luau.

Portanto, Luau será das primeiras localidades fronteiriças, entre outras, que terá esta plataforma logística, que vai facilitar o comércio com o país vizinho. Isso vai dar emprego, vamos fazer o comércio de forma mais organizada. O Estado vai recolher receitas fiscais de uma forma mais organizada. 🔴⚫🟡MPLA

Portanto, vamos todos ganhar, vai ganhar o Estado, vai ganhar o povo, vai ganhar o país vizinho e vamos ganhar todos.

Há dois dias, creio, aqui na cidade do Luena, foi inaugurada a Centralidade do Luena. A partir de agora, portanto, os apartamentos começam a ser entregues aos beneficiários. Ouvimos reclamações segundo as quais 400 e tal casas são poucas. É ou não é? 🔴⚫🟡MPLA

  • É! 🔴⚫🟡MPLA

Temos muitos jovens a precisarem de casa. Jovens que acabaram a sua formação, começaram a trabalhar e até podem recorrer à banca para pagarem o apartamento de forma leve, pagando a prestações, pagando à banca.

Portanto, nós vamos apelar à juventude: o Moxico vai ter uma segunda fase desta Centralidade do Luena. Onde está implantada a Centralidade, ainda há uma grande zona de expansão, onde se pode fazer a segunda fase e, quem sabe, a terceira fase.

Mas para que isso seja possível e é um apelo que faço ao povo do Luena, a vocês os jovens -, vocês é quem tem que fiscalizar. Vocês é que têm que estar vigilantes. É preciso, nesta zona de expansão, não deixarem que surjam como cogumelos construções anárquicas. Porque se surgirem construções anárquicas, o Estado vai ter dois problemas por resolver: vai ter que resolver o problema destas pessoas irresponsáveis que fazem estas coisas (construções anárquicas) e vai ter que gastar recursos para construção desta centralidade. Vai atrasar o tempo de execução, porque é preciso primeiro resolver o problema das construções anárquicas e, só depois disso, iniciar a construção da segunda fase anunciada.

Então, eu deixo aqui uma missão à juventude: vocês é que têm que alertar às autoridades, sempre que virem alguém na calada da noite fazer uma casita com quatro chapas. Quando vocês virem alguém a andar com quatro chapas a partir da 1H00 da manhã, para construir para a casa estar pronta às 5H00 da manhã, denunciem. Senão não vai haver segunda fase.
Estamos de acordo? 🔴⚫🟡MPLA

  • Sim!🔴⚫🟡MPLA

Caros camaradas,

Na minha entrevista de há dias, eu dizia que, neste meu primeiro mandato, prestei bastante atenção ao investimento em infra-estruturas no sector da saúde. Todos estão a ver o que já foi feito, entregue e em funcionamento. Estão a ver o que está sendo feito. Paredes estão aí para quem quer ver. E anunciei também aquilo que, não estando ainda a ser feito, mas será feito com toda a certeza, durante o segundo mandato. 🔴⚫🟡MPLA

E dizia eu, na entrevista, que esforço idêntico vamos fazer no sentido de darmos também outra dignidade ao Ensino Superior. Vamos construir infra-estruturas condignas para o Ensino Superior um pouco por todo o país.

Vamos construir universidades ou institutos superiores, técnicos, para criar melhores condições de trabalho para os docentes e melhores condições de estudos aos estudantes. 🔴⚫🟡MPLA

Isso hoje não existe, salvo algumas excepções. O Ensino Superior público está muito mal servido em termos de infra-estruturas. Em muitas províncias, temos situações em que tiveram que adaptar até habitações, instalações muito precárias, de qualquer tipo, onde funciona o Ensino Superior. 🔴⚫🟡MPLA

No próximo mandato, nós vamos fazer o máximo que pudermos no sentido de inverter este quadro. Mas, o mais importante ainda não disse. Mas vou dizer: a Província do Moxico é uma das contempladas.

Caros camaradas,

Nós já falámos do Caminho-de-Ferro de Benguela. O Caminho-de-Ferro de Benguela, no tempo colonial, tinha uma concessão, ou seja, quem geria, quem administrava o Caminho-de-Ferro de Benguela não era, contrariamente ao que muitos pensam, não era o Governo colonial português.

O Governo colonial português deu a uma empresa privada, estrangeira, a concessão da gestão do Caminho-de-Ferro de Benguela por muitos anos. Depois da nossa Independência, essa situação mudou e passou a ser o próprio Governo angolano a assumir esta responsabilidade da gestão do Caminho-de-Ferro de Benguela. Mas nós já chegámos à conclusão de que a missão do Governo não é essa. O Governo não tem que ter empresas, salvo algumas excepções. Mas, como regra, o Governo não tem que ter empresas. Ou melhor, pode ter empresas, pode ser proprietário de empresas, sobretudo dessas de grande dimensão, empresas chamadas estratégicas, como é o caso do Caminhos-de-Ferro e dos portos comerciais.

O dono pode ser o Estado, mas a gestão destas empresas estratégicas não deve ser assumida pelo Estado. E é assim que nós realizámos um concurso público para concessão e gestão do Terminal de Contentores do Porto de Luanda e que ficou com uma empresa, das maiores do mundo em termos de gestão portuária. 🔴⚫🟡MPLA

Realizámos igualmente um concurso público, com o mesmo fim, em relação ao Porto Comercial do Lobito, para a gestão do terminal de contentores deste porto. O concurso está terminado, foi anunciado o vencedor e, portanto, o Estado em relação a esses dois activos não tem por que se preocupar. A única preocupação é ir buscar dividendos, ir buscar a parte que lhe cabe: os impostos. O Estado só tem que fazer isso. 🔴⚫🟡MPLA
O Estado vai ganhar dinheiro com estes activos, sem gastar dinheiro e sem ter aquilo a que vulgarmente se diz, chamam de “preocupações”. 🔴⚫🟡MPLA

O país tem três empresas de caminhos-de-ferro: Caminho-de-Ferro de Benguela, Caminho-de-Ferro de Luanda e Caminho-de- Ferro de Moçâmedes. Dos três, o maior é este que passa por aqui, bem ao lado deste estádio de futebol: é o Caminho-de-Ferro de Benguela. E por ser o maior, com maior movimento, o único que tem ligação com o exterior, ou seja, tem tráfego internacional, nós consideramos prioritário fazer o concurso público de concessão, começando por este Caminho-de-Ferro de Benguela.

Neste momento em que vos falo, o concurso público para concessão da gestão do Caminho-de-Ferro de Benguela está a decorrer. Está a decorrer e com um fim que está para os próximos dias. Antes das eleições, vamos conhecer, entre os concorrentes, quem é que vai ficar com a concessão do Caminho-de-Ferro de Benguela. 🔴⚫🟡MPLA

Estamos a fazer tudo com transparência, tudo por via do concurso público, mas o mais interessante é dizer que o Estado colocou no caderno de encargos, como obrigação para quem vier a vencer este concurso público, que assuma o compromisso de construir o ramal do Luacano/Zâmbia.

Portanto, que não venham dizer que é mais uma promessa, que é uma simples promessa eleitoral, não! Isto é um facto. Daqui a dias, quando se anunciar o vencedor deste concurso público, do Caminho-de-Ferro de Benguela, saberemos que o vencedor do concurso vai construir também o ramal Luacano-Zâmbia.🔴⚫🟡MPLA

Portanto, vamos passar a ter ligação ferroviária Angola/Zâmbia, com o ramal a ser construído pelo vencedor do concurso para a gestão do Caminho-de-Ferro de Benguela.

Como eu dizia há bocado, para este tipo de infra-esfruturas, de empresas estratégicas, o Estado não gere bem. O Estado não está vocacionado para geri-las. Por outras palavras, eu quero dizer que, com este concurso, que vai definir quem é o vencedor, em princípio, passaremos a ter uma gestão do Caminho-de-Ferro de Benguela melhor do que actual.

A entidade privada que ganhar este concurso tem de mostrar que é melhor que o Estado, que gere melhor do que o Estado. Porque, caso contrário, nós não teríamos feito o concurso. Teríamos continuado nós, Estado, Governo, a cuidar do Caminho-de-Ferro. 🔴⚫🟡MPLA

Se abrimos mão disso, deu-se a possibilidade de abrirmos o concurso público, é porque queremos melhor do que acontece hoje. Então, queremos estações mais bem organizadas, queremos a linha mais bem mantida, queremos um cumprimento de horários das partidas e chegadas de comboios muito mais rigoroso, queremos mais comodidade para os passageiros nos vagões, queremos maior capacidade de colocação de transporte de carga, com destaque para os mineiros, não só os que vêm dos países vizinhos, mas também os mineiros que vão surgindo aqui ao longo da linha. Há empresas privadas com projectos interessantes de exploração de mineiros, que terão a possibilidade de usar o caminho-de-ferro para fazer chegar este mineiro ao Porto do Lobito e a partir daí introduzi-lo no mercado internacional.

Portanto, o país, não só a Província do Moxico, mas o país, passará a ter um Caminho-de-Ferro de Benguela melhor do que o actual, e passará a ter uma coisa nova que não existia antes, nem mesmo em muitos anos de colonização. O colono conseguiu fazer essa ligação Angola-Zâmbia por via ferroviária. 🔴⚫🟡MPLA

Caros camaradas,

Todos nós estamos a acompanhar, com alguma apreensão, o conflito que grassa neste momento na Europa, mais concretamente no território da Ucrânia. Esse conflito tem consequências de vária ordem, e tem consequências não apenas para o povo ucraniano, mas tem consequência para os europeus, por estarem mais próximos, e tem consequências para o Mundo. 🔴⚫🟡MPLA

As consequências são de diversa ordem, mas eu vou citar apenas duas. Esse conflito criou já duas crises de dimensão universal: a crise energética e a crise alimentar. 🔴⚫🟡MPLA

A crise energética, a médio prazo, vai resolver-se, uma vez que o Mundo começa e agora imprimindo uma outra velocidade -, o mundo começa a investir seriamente em outras fontes de produção de energia que não sejam as energias fósseis, ou seja, dependentes do crude. Mas a crise alimentar, como é que vamos resolver a crise alimentar? 🔴⚫🟡MPLA

Alguns, não diria optimistas demais, mas simplistas demais, dirão que essa é uma questão passageira, é uma guerra passageira, termina dentro de meses ou dentro de um ano ou dois anos e vai voltar tudo ao normal. Não é verdade! É verdade, sim, que a guerra vai terminar., não há guerras que durem para sempre. A guerra vai terminar e tem que terminar. Mas as consequências dessa guerra virão para ficar por um tempo bastante longo, nomeadamente esta consequência da crise alimentar. 🔴⚫🟡MPLA

Eu sei que, entre os nossos homens de negócios, há muitos que entendem que apostar no agronegócio é perder dinheiro. Esta crise, hoje, veio demostrar precisamente o contrário! Nunca o mundo esteve tão privado de trigo, de milho, arroz, de óleo de soja ou de girassol, como está hoje. 🔴⚫🟡MPLA

Hoje, quem tem grandes quantidades de trigo para entrega imediata, vai ganhar muito dinheiro! Hoje é melhor ter trigo, vender trigo, do que vender diamante. O trigo virou ouro. O óleo vegetal igualmente virou ouro! 🔴⚫🟡MPLA

Chegará o momento em que muitos clientes, empresas, governos isso é uma preocupação de todos, empresas, governos… vão ter dinheiro na mão disponível para comprar esses produtos e não ter quem lhes venda. Numa primeira fase vai ter quem lhes venda a preços cinco, dez vezes mais do que no passado recente. Mas se o conflito perdurar por mais algum tempo, chegará o momento em que nem haverá esses produtos no mercado internacional. 🔴⚫🟡MPLA

Então, nós temos que aprender com os erros da História, e o erro da História é termos um país com abundância de terras aráveis, com cursos de água intermináveis, sem apostarmos seriamente na agricultura. Hoje, todo o mundo olha para a Ucrânia como a salvação: “Acabem com a guerra para que a Ucrânia continue a nos abastecer com produtos alimentares”. 🔴⚫🟡MPLA

Angola tem potencial, não diria para ser uma Ucrânia, mas Angola tem potencial para não ter necessidade de importar trigo, óleo vegetal e outros produtos alimentares, produzir para si próprio, mas produzir para atender também outros povos interessados deste mesmo produto. Portanto, produzir para exportar. 🔴⚫🟡MPLA

E eu digo isso aqui no Moxico, porque hoje quando se fala da agricultura em Angola, erradamente, repito, erradamente! , as pessoas olham para o Huambo, Bié, Malanje, de alguma forma Cuanza Norte, Uíge, como se fossem as únicas províncias do país que podem produzir alimentos.

Eu repito: isso é errado! Isso não é verdade! E digo aqui no Moxico, porque as províncias do leste do país, a Lunda Norte, a Lunda Sul, o Moxico e o Cuando Cubango, são as províncias que têm maiores extensões de terras aráveis. São as províncias que têm maior oferta de água, não apenas de água das chuvas, mas são as províncias que têm inúmeros cursos de água. E não me estou apenas a referir aos grandes rios, como Zambeze, como Lunguengungu ou Cassai. Estou a referir-me a cursos de água no geral.

Essas províncias do leste têm água de sobra, têm a água que está a faltar no Cunene, no Namibe, e em parte da Huíla. Então, o erro da História é esse! O erro da História é nós não tirarmos o maior proveito possível desta possibilidade que a natureza nos ofereceu.

Temos de tirar da nossa cabeça que o Leste de Angola só tem diamantes. O Leste de Angola tem diamantes, vai continuar a ter – vamos continuar a encorajar para que as empresas venham para produzir diamantes e outros recursos mineirais – mas isso não impede, antes pelo contrário, que façamos uma aposta séria na agricultura. Mas não é na agricultura de subsistência. Essa também vai continuar a existir.

​Nós estamos a ganhar a batalha de atrair os investidores para a indústria diamantífera. Esta batalha está sendo ganha por nós. Estamos a conseguir trazer as grandes multinacionais dos diamantes, e não só, dos outros minerais, para virem trabalhar em Angola. Já estão aqui. Temos de ter a mesma capacidade de conseguir atrair investidores, não importa se nacionais ou estrangeiros, para virem produzir em Angola, mas particularmente nessas quatro províncias que eu acabei de citar, para produzir bens alimentares em grandes quantidades, com destaque para os cereais. 🔴⚫🟡MPLA

É que estas províncias têm não só terras e recursos hídricos suficientes, como têm uma grande particularidade: não são montanhosas, são planas, têm terreno plano e na agricultura isso é uma grande vantagem.

O facto de a terra em grandes extensões ser plana, e porque chove muito, nem precisamos de pensar em irrigação, porque a irrigação é um investimento que é muito grande. Não precisamos de pensar em fazer agricultura irrigada com pivôs. O regime de chuvas nesta região do País é muito certo e por um período longo. Aqui pode fazer-se agricultura de sequeiro em grandes extensões da produção de trigo, arroz e outros produtos alimentares. 🔴⚫🟡MPLA

O Sector da Agricultura deve ter a coragem de desencorajar os investidores que estão a dar cabo das nossas florestas. Ninguém come madeira. Os investidores que não estão a respeitar a lei. E os que estão a dar cabo das nossas florestas no Moxico, no Cuando Cubango, e em outras partes do nosso país, devem ser seriamente desencorajados a não continuarem com essas práticas. 🔴⚫🟡MPLA

Todo o tipo de medidas deve ser tomada. Devemos tomar medidas muito sérias no sentido de acabar com a desflorestação das nossas matas. Algumas dessas empresas podem ser convidadas, podem ser encorajadas, a mudar o seu negócio. Em vez de continuarem a ganhar dinheiro prejudicando a Natureza, que ganhem dinheiro produzindo alimentos, que se dediquem, nessas mesmas províncias, a produzir comida, que será muito bem vinda essa produção de alimentos em detrimento da continuação da destruição das nossas florestas. Alguns deles podem ser convertidos: você deixa de ganhar dinheiro a prejudicar a Natureza e passa a ganhar, ou continua a ganhar, fazendo algo mais nobre, algo mais útil à sociedade, que é produzir alimentos. 🔴⚫🟡MPLA

Mas contar só com eles não é suficiente. O repto que eu deixo aqui é, a exemplo do que já conseguimos em relação à atracção de investidores para a indústria extractiva, conseguirmos também atrair investidores, grandes investidores para fazerem produção a sério de cereais, de grãos, aqui no Leste de Angola. 🔴⚫🟡MPLA

O próprio Caminho-de-Ferro, com uma gestão privada, servirá como incentivo a isso, porque quem produzir aqui põe a produção no comboio e a sua produção é exportada para os quatro cantos do Mundo. Então, esse é o desafio, a oportunidade é esta. É nos momentos de dificuldade que, às vezes, se acende uma luz. Concluímos que perdemos muito tempo. Nesta matéria, perdemos muito tempo e este é o momento de começarmos a apostar a sério em fazer agricultura a sério. 🔴⚫🟡MPLA.

Mas essa agricultura a sério não pode ser com investimento público em grandes fazendas, como já o fizemos num passado recente, não é isso. Isso não dá resultados e a prova está aí. Esse investimento a sério na agricultura tem de ser a contar sobretudo com os investidores privados. O Estado que trabalhe na criação de incentivos de atracção do investimento privado para essa produção de cereais em grande escala, de alimentos no nosso país, em particular aqui no Leste do País. 🔴⚫🟡MPLA

Quando se falar do Leste, que não se fale só do diamante, mas que as Províncias do Leste apareçam no mapa como das maiores produtoras e exportadoras de alimentos, de cereais, em particular.

Caros camarada,

Isso é para levar a sério. Se eu for eleito, se o MPLA for eleito, nós vamos trabalhar seriamente nisso, não há que gastar dinheiro público nesse investimento, repito. Mas vamos trabalhar seriamente na atracção dos investidores privados para virem executar isso que eu acabo de anunciar aqui no Luena.

Dentro de alguns anos, quando este sonho se tornar realidade, todo o mundo vai dizer, mais uma vez, graças ao Luena. Foi graças ao Luena que deu uma grande contribuição à luta de libertação, foi graças ao Luena que alcançamos a paz. E será graças ao Luena, porque foi o Luena quem me inspirou a pôr essas minhas ideias a público, para que os privados tirem do papel e tornem esse sonho uma realidade. 🔴⚫🟡MPLA

Caros camaradas, creio que chega, né?

  • NÃO 🔴⚫🟡MPLA

Ai, não chega?

Mas então já vão ter segunda fase da centralidade, já vão ter o ramal Luacano/Zâmbia, vão ter as estradas, vão ter a nova universidade ou novas instalações que dá para universidade, mesmo assim não chega?

  • NÃO 🔴⚫🟡MPLA

Bem, se eu falar tudo hoje já não volto ao Luena, já não vai ser preciso voltar. Então vou ficar por aqui, para ainda ter assuntos para conversar com o povo do Luena, numa próxima oportunidade.

Muito obrigado, povo do Luena!

Revista Destemidos.