08/06/2022 21H05

O Governo sul-africano anunciou, segunda-feira, a prisão de dois suspeitos , de nacionalidade indiana, de participação activa no escândalo de corrupção do país que envolve o ex-Presidente Jacob Zuma.

“O Departamento de Justiça e Serviços Correccionais confirma que recebeu informações das autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de que os fugitivos Rajesh e Atul Gupta foram presos”, disse o Ministério da Justiça sul-africano em comunicado citado pela BBC.

Segundo a nota, “as autoridades de ambos os países estão a analisar o procedimento a ser seguido”, no âmbito da cooperação entre os dois países.

A África do Sul procura levar à Justiça os três irmãos e empresários de origem indiana, Ajay, Atul e Rajesh Gupta, acusados de saquear recursos públicos durante o Governo de Jacob Zuma (2009-2018).

Um mandado internacional da Interpol foi emitido  contra Atul e Rajesh Gupta, estando o seu irmão Ajay por enquanto de fora.

Um relatório condenatório publicado em 2016 detalhou como os irmãos, que são próximos de Zuma, ganharam contratos públicos lucrativos e participaram na gestão dos assuntos do Estado, incluindo a nomeação de ministros. Os irmãos Gupta fugiram da África do Sul pouco depois de uma comissão ter sido criada, em 2018, para investigar a corrupção generalizada durante os nove anos de Zuma no poder.

Os casos contribuíram para a queda do ex-Presidente, que foi obrigado a renunciar. Condenado à prisão, em Julho do ano passado, por desacato ao tribunal e agora em liberdade condicional por motivos de saúde, o seu julgamento por corrupção ainda está em andamento.

Um relatório de Abril, da Comissão Anti-Corrupção de Inquérito, diz  que “está claro que desde o início do seu primeiro mandato, Zuma  estava preparado para fazer o que os Guptas quisessem que ele fizesse por eles”.

 Ramaphosa perde  credibilidade

O  actual Presidente  sul-africano, Cyril Ramaphosa, tornou a luta contra a corrupção o seu foco principal, mas enfrenta agora uma perda de credibilidade.

Na semana passada, o  ex- chefe dos Serviços Secretos, Arthur Fraser,   apresentou uma queixa oficial de “sequestro” e “corrupção” contra Ramaphosa.

Fraser  argumentou à Justiça que  Ramaphosa “tentou esconder um roubo”, que aconteceu em Fevereiro de 2020, quando participava numa cimeira da União Africana em Adids Abeba. Ramaphosa, entretanto,  confirmou o roubo, mas alega que o relatou apenas ao chefe da sua unidade de Protecção VIP, que não comunicou à Polícia.

Vários partidos da oposição pediram uma investigação  profunda sobre o caso,  pedindo às autoridades para apurarem se o os dinheiros supostamente  roubados havia sido declarada à receita sul-africana.

O Movimento Democrático Unido (MDP), principal força política da oposição, pediu a Ramaphosa que tire uma “licença” enquanto o Parlamento investiga o incidente.

Arthur Fraser alega que,  pelo menos, quatro  milhões de dólares foram roubados , mas Ramaphosa garante ter sido uma quantia “muito menor “, sem , no entanto, dizer o valor exacto .

Alguns dos partidários de Ramaphosa  alegaram  tais denuncias fazem  parte dos esforços para inviabilizar a  candidatura à reeleição  do Chefe de Estado como presidente do partido, em Dezembro próximo.

Revista Destemidos.