07/06/2022 07H47

O ministro avançou ontem que os ossos serão colocados em urnas, em local apropriado

A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) entrega, amanhã, no Quartel-General das Forças Armadas Angolanas, as ossadas de Nito Alves, Monstro Imortal, Sianouk e Ilídio Ramalhete.

A informação avançada pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, no  fim da 4ª reunião ordinária da Comissão, dá conta de que as ossadas serão entregues às famílias dos quatro dirigentes que pereceram a 27 de Maio.

O também coordenador da CIVICOP disse que os ossos serão colocados nas urnas, em local apropriado no Quartel-General, pelo facto de todos terem sido militares.

Em declarações à imprensa depois do encontro que serviu igualmente para esclarecer a questão dos exames de ADN e perspectivas de entrega dos ossos às famílias residentes no país e no exterior,  Francisco Queiroz adiantou que o programa de quarta-feira prevê uma intervenção das famílias, apresentação de pêsames e discurso em nome do Executivo.

Os ossos desses quatro corpos, acrescentou, foram retirados de um local onde existiam cerca de 20 ossadas, o que significa que há mais indivíduos que estão a ser objecto de análise do ponto de vista genético para determinar o ADN.

“Muitos deles já têm o registo concluído. Da nossa parte, o registo de ADN já está concluído. Falta apenas cruzar esse registo com o das famílias que residem em Portugal”, realçou, reiterando que as famílias farão o envio do material genético (sangue) que já está recolhido e quan-do chegar far-se-á o cruzamento com os dados de ADN à disposição.

“O registo não veio com os técnicos de Portugal porque as famílias indicaram um especialista, um professor em quem confiam. Não nos opomos, porque queremos dar a esse processo toda a transparência, segurança técnica e científica”, reforçou.

Segundo o ministro, as famílias são livres. Escolheram esse modelo que pode atrasar um pouco, se não fosse isso, possivelmente, amanhã estar-se-ia em condições de entregar mais corpos e não apenas os dos quatro.

Novas valas cadastradas

 Confrontado com a identificação de outros lugares para a identificação de ossadas, o ministro reconheceu que existem outras valas, maioritariamente, em Luanda, nos arredores da cidade. A seu tempo, adiantou, vão ser abertas para o conhecimento público, mas frisou que neste momento está a ser feita a recolha dos ossos.

Francisco Queiroz indicou a identificação de outras valas nas províncias de Malanje, Moxico, Benguela e Cuanza-Sul. Para o efeito, recordou, foram criados quatro subgrupos nessa segunda fase da CIVICOP. O primeiro é o de micro-localização e exumação dos ossos, e o grupo está a fazer o trabalho com recurso à tecnologia mais avançada que existe.

Há ainda um outro subgrupo médico forense a trabalhar, cujos resultados são visíveis e “graças a esses trabalhos já foram entregues três corpos de responsáveis da UNITA”. Depois, há um terceiro grupo que trata das certidões de óbito e, actualmente, já foram entregues mais de duas mil às famílias.

O quarto grupo, referiu, é o da Comunicação Social: “Comunicar sobre esta matéria não é o mesmo que comunicar sobre outras matérias, tendo em conta a sensibilidade das pessoas, memórias e a sensibilidade das famílias, o que exige uma comunicação adequada”.

Na ocasião, o ministro apelou às famílias a manter esse interesse junto do Laboratório de Criminalística e a proceder à entrega do material genético (sangue ou saliva) para o cruzamento dos ossos a serem encontrados. Francisco Queiroz tranquilizou as famílias e disse que o processo não para agora: “Não sabemos quanto tempo vai levar, mas vamos continuar até fazermos os exames de todos os ossos que formos encontrando. As famílias que acharem que têm um ente que pereceu nestas condições, que forneça o material genético para ser analisado”.

Revista Destemidos.