06/06/2022 12H26

Na caminhada eleitoral rumo ao dia 24 de Agosto, o MPLA demonstra ter a “máquina bem afinada”, a julgar pelos actos produzidos, nomeadamente a aprovação da lista geral de candidatos a deputados à Assembleia Nacional, aprovação do Programa de Governo 2022-2027 e do Manifesto Eleitoral, destacando-se, ainda, a indicação de uma mulher ao cargo de Vice-Presidente da República

O país está a entrar na sua fase “pais extraordinária”, por força das eleições que terão lugar em Agosto. A partir de agora, assistir-se-á, pela caminhada, a construção de um ambiente onde tudo é “política”, tudo conta, tudo é feito à moda eleitoral. A julgar à aproximação ao pleito, os concorrentes estudam, ao detalhe, por essa altura, cada palavra, cada gesto, cada passo, em função de tirarem o maior proveito numa disputa que se antevê, para já, forte.

Aliás, não tivesse o país registado, nos últimos meses, acesos debates, alguns em tom bastante acentuado, animados com o concurso de técnicas de manipulação da opinião pública e de meios tecnológicos que consolidaram as redes sociais como, mais do que um sistema, o palco vivo da vida da nação, onde cada um pode, a seu jeito, manifestar o direito a ser angolano, fazendo fé à liberdade para escrutinar a governação. Descontos feitos ao uso inapropriado…

Este exercício esteve perto de asfixiar correntes de pensamento político, tal o pico do grau de irritação, mas, felizmente, as coisas foram controladas. Porém, o ambiente ainda impõe alguma cautela discursiva, sobretudo pelo desafio que o país tem em mãos, nomeadamente a realização das eleições gerais. A Comissão Nacional Eleitoral (CNE), atenta às dinâmicas político-eleitorais, veio delimitar as circunstâncias com um apelo ao voto assente em três eixos fundamentais: paz; democracia; desenvolvimento. Assim, a preparação, a organização, a disputa e a votação devem submeter-se às orientações presentes no slogan da CNE.

A particularidade do slogan “Vote pela Paz, Democracia e Desenvolvimento” recai sobre os partidos políticos. Pois, estes têm a responsabilidade primeira de conceber conteúdos que levem aos seus públicos, entre outras motivações, mensagens de harmonia, respeito e de disputa formada em ideias políticas. O MPLA, nesse quesito, deu o sinal para este caminho, ao demonstrar compromisso em ajudar a formar um ambiente eleitoral organizado e que assegure a vida após às eleições. O seu secretário para a Informação e Propaganda afirmou que o MPLA continua a trabalhar para conquistar os angolanos e ser poder nos próximos 50 anos, não havendo lugar no seio dos camaradas para outra coisa, senão para vitórias. É com este pensamento que se encaram as próximas eleições, referiu.

Rui Falcão “confessou” os desejos do seu partido durante uma entrevista concedida, em Fevereiro último, ao “Café da Manhã” da Rádio LAC, programa que se converteu em referência de um jornalismo ao serviço de “boas causas”, diga-se de passagem. Na altura, Falcão sossegou porventura que o MPLA, na qualidade de uma força política organizada, séria e responsável sempre teve presente as aspirações do povo angolano.

A entrevista à LAC, entre outras leituras, representa um passo aberto no caminho à corrida eleitoral. O secretário Rui Falcão “gabou-se” que “o MPLA é uma força cuja máquina se afina todos os dias, permitindo adaptar-se aos desafios políticos, presentes em todas as dimensões”. Retira-se daí, obviamente, a tentativa de se adiantar no posicionamento à disputa nas Eleições Gerais.

Nesse sentido, a UNITA, no período em referência, Fevereiro deste ano, dava sinais de seguir pela mesma via. Aliás, basta, para tal, proceder-se a um olhar sobre os argumentos presentes na comunicação política, tornada pública por ocasião do seu último congresso.

Embora mantenha a postura combativa, condição inalterável de quem está na oposição, a UNITA vai marcando o passo, de um tempo a esta parte, com base numa estratégia dividida em dois sentidos. Ou seja, num sentido, o Galo Negro posiciona-se  como candidato natural, mas noutro, contraria tudo que está a ser feito para a realização das eleições. No entanto, a crispação, observada até aos últimos meses, em nada ajuda na mensagem a passar, além de que a mesma aumenta o risco de fragilidade na relação com potenciais eleitores. Mas a vida segue, o país caminha, a política rola e assume as suas próprias dinâmicas. Nesse caminhar, nos deparamos com A FNLA, PRS e CASA- CE que têm feito um trabalho extraordinário nesse sentido- pois nunca se envolveram em discursos fracturantes.

No entanto, na hora de afinar a máquina, o maior sinal de organização e alinhamento político, no quadro da disputa eleitoral, veio do MPLA, que já produziu, para variar, três actos fundamentais, a saber, a aprovação da lista geral de candidatos a deputados à Assembleia Nacional, o Programa de Governo (2022-2027) e o Manifesto Eleitoral.  Nesses actos, que demonstram compromisso eleitoral, surpreendeu o país, ao propor duas senhoras para altos cargos na hierarquia do Estado, nomeadamente Esperança da Costa, candidata à Vice-presidente da República, e Carolina Cerqueira, candidata à Presidente da Assembleia Nacional.

Revista Destemidos.