O Executivo realiza, aos poucos, o sonho de oferecer melhores cuidados de saúde aos angolanos, com a criação, em todo o território nacional, de um conjunto de unidades hospitalares “muito bem equipadas” e com capacidade para atender todo o tipo de doenças.

02/06/2022  10H44

Um pormenor do novo Hospital Materno-Infantil ontem inaugurado pelo Chefe de Estado

A avaliação foi feita quarta-feira(01), à imprensa, pelo Presidente da República, depois de inaugurar o Hospital Materno-Infantil “Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes”, no distrito de Camama, zona Sul de Luanda.

“O nosso plano está a ser executado pouco a pouco e acredito que, nos próximos anos, a obra que deixaremos no sector da saúde não será negligenciada”, declarou. O Chefe de Estado sublinhou, a propósito, ser obrigação do Executivo trabalhar arduamente no sentido de não haver perdas humanas à nascença.   

A nova unidade hospitalar, com 220 camas, vai contribuir, em grande medida, para o aumento da cobertura dos serviços de pediatria e maternidade na região Sul de Luanda, redução da mortalidade materna e infantil e assegurar o aumento de partos institucionais.

João Lourenço disse que unidades do género também estão a ser construídas nas demais regiões do país. Referiu-se aos “grandes hospitais” recentemente inaugurados nas províncias de Cabinda, Bié, Namibe,  Luanda e demais províncias.

O Presidente da República disse ser compreensível que a província de Luanda, sobretudo, pela  densidade populacional (cerca de 10 milhões de habitantes) acabe por ser a mais beneficiada em termos de maior número de unidades hospitalares.

“Para uma urbe como Luanda, onde as necessidades são maiores, os hospitais construídos ainda são poucos”, afirmou, salientando que  as unidades em construção nos municípios de Viana e Cacuaco enquadram-se neste espírito.

João Lourenço reconheceu, por outro lado, a capacidade profissional dos jovens médicos cirurgiões angolanos dos Hospitais Josina Machel e Dom Alexandre do Nascimento. Afirmou que os mesmos têm realizado intervenções cirúrgicas, que são “verdadeiros milagres”.

“Verificamos que os profissionais de saúde mais jovens estão a fazer autênticos milagres. Vemos isso no Josina Machel e no Hospital do Coração ‘Dom Alexandre do Nascimento’, nos quais muitos jovens cardiologistas têm feito verdadeiros milagres”, declarou o Chefe de Estado.

Na mesma ocasião, João Lourenço elogiou e agradeceu a “entrega total e incondicional” dos profissionais de saúde, demonstrada, sobretudo, na fase de luta contra a pandemia da Covid-19, mesmo sem qualquer contrapartida do Governo.

O Chefe de Estado reconheceu a existência de um ou outro caso de profissionais que não respeitam  o atendimento humanizado às populações , salientando que a tendência é acabar com esta prática. “Vamos  seguir os bons exemplos da maioria, que dá um  tratamento humano e adequado aos pacientes”, referiu.

João Lourenço disse que o nome do doutor Azancot de Menezes, dado à instituição, é uma homenagem ao “grande profissional”, que deu  todo o seu saber e vida ao serviço da saúde e das populações no sector materno-infantil.

Antes de descerrar a placa, no gesto que marcou a inauguração, o Chefe de Estado assistiu a um vídeo que mostrou as diferentes fases de construção do empreendimento e outro que retratou a vida e obra do já falecido professor doutor Manuel Pedro Azancot de Menezes.

Reprodução “in-vitro” num futuro breve

No seu discurso de boas-vindas, a ministra da Saúde anunciou que o Hospital Materno-Infantil “Azancot de Menezes” vai utilizar técnicas  de reprodução assistida e, num futuro breve, a reprodução “in-vitro”, cuja cobertura legal está  em fase de conclusão.

Sílvia Lutucuta referiu que a unidade, pelas suas características  e valências, contribuirá, de forma decisiva, para o atendimento da população, prestando  serviços de saúde eficientes, particularmente  para mulheres, crianças e jovens.

“Trata-se de uma unidade que oferece serviços de alta complexidade”, indicou a ministra, acrescentando que a unidade  também está vocacionada para o ensino de excelência e o desenvolvimento da investigação.

Ao referir-se aos principais ganhos com a inauguração do hospital, a governante apontou, sobretudo, a redução do número de pacientes com necessidade de evacuação para o exterior, salientando que na unidade serão atendidos pacientes com patologias  e necessidade de procedimentos complexos.

Em relação aos recursos humanos para assegurar os serviços nas diferentes unidades sanitárias do país, a ministra  anunciou o enquadramento de 33.093 novos profissionais.

O Hospital Materno-Infantil, ontem inaugurado, vai contar com 693 funcionários, dos quais 612 nacionais e 81 expatriados. Foram abertos na unidade novos postos de trabalho, que permitiram a muitos jovens  obterem o seu primeiro emprego.

A ministra disse que estão a ser criadas sinergias  com instituições congéneres dos sectores público e privado que prestam serviços de saúde de qualidade humanizados, para garantir a  partilha de conhecimentos, rumo à construção de um Sistema Nacional de  Saúde capaz de  resolver as necessidades dos cidadãos.

Sílvia Lutucuta também falou do compromisso do seu departamento ministerial em desenvolver novos modelos de gestão nas unidades hospitalares, consubstanciados na  mobilização de  outras fontes de financiamento, com parcerias seguras, com vista à criação de condições  sustentáveis, que permitam às unidades garantir um melhor atendimento a todos os cidadãos , independentemente do estratos social.

Aos profissionais e futuros utentes da unidade ontem inaugurada, Sílvia Lutucuta apelou para que sejam partícipes atentos e activos na conservação da mesma.

 Azancot de Menezes, um médico dedicado

Azancot de Menezes foi cirurgião geral e ginecologista, formado pela Universidade de Lisboa.

Nasceu em São Tomé e Príncipe e faleceu em 1983, em Angola, aos 60 anos. Trabalhou no país desde 1964, nos hospitais centrais do Moxico, Benguela, Malanje e Luanda, no Hospital Américo Boavida.

De 1975 a 1983, foi director clínico da Maternidade de Luanda, actual “Lucrécia Paím”. Foi, igualmente,  professor de Ginecologia e Obstetrícia  da Faculdade de Medicina de Luanda, de 1972 a 1983.

Manuel Pedro Azancot de Menezes destacou-se pelo rigor dos seus ensinamentos e pelo humanismo das suas intervenções, bem como pelo profundo e reconhecido amor ao próximo.

Revista Destemidos.