O Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade do Género (GASFIG), em parceria com outras instituições, participa no repatriamento de seis crianças, sendo duas do Congo Brazaville e quatro do Congo Democrático, que estavam sob tutela do lar I de Dezembro, na cidade de Saurimo, depois de serem resgatadas de supostos sequestradores, há cerca de dois anos.

Um ângulo da cidade de Saurimo província da Lunda-Sul que acolhe crianças desamparadas.

A garantia é do director interino do Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade do Género, Venâncio António Menga, em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, em alusão ao Dia Mundial da Criança Desamparada, assinalado no passado dia 25.

Acrescentou que o Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade do Género notificou, este ano, 21 casos de violência sexual contra menores de 15 anos, na sua maioria aliciadas por adultos, dos quais 15 estão detidos.

Segundo António Menga, muitas raparigas sobrevivem da prostituição, sendo os parques de estacionamento de camiões os locais preferidos.

“Os actos sexuais desprotegidos, em vários casos, culminam com contágios de infecções, gravidez precoce e indesejada, que cedo mutilam o futuro de dezenas de raparigas solteiras,  sem amparo, carregando bebés órfãos de pais vivos”, sublinhou.

 

Desamparo

Mário Elias, cinco anos, em companhia do irmão, de dez, fazem da rua o seu habitat,  para escaparem aos maus tractos do padrasto,”desde que a mãe faleceu, há cerca de um ano”. 

Tocam o coração dos mais sensíveis, condoídos com o olhar silencioso, implorando por restos de comida, à porta do restaurante Mobil, onde permanecem durante horas. 

Os conflitos nos lares, principalmente com menores na condição de enteados, e a falta de prestação de alimentos estimulam a fuga de crianças para buscarem sobrevivência nas ruas, onde a porta para a delinquência “anda escancarada”. 

O director interino do Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade do Género

critica a falta de cuidados no acompanhamento das crianças, acrescentando que muitas vezes “ostentam telefones e roupas caras, perante o silêncio dos pais, até que a desgraça bate à porta”. 

Deu a conhecer que as estatísticas apontam o registo de 15 denúncias de violência contra crianças, três casos de interrupção de gravidez, com autores morais detidos, e uma tentativa de sequestro. 

Precisou que a maioria de casos notificados “tem haver com actos praticados em outras províncias, que acabam por ser detectados na Lunda-Sul”. 

Venâncio António Menga incentiva as famílias e cidadãos em geral a pautarem pela cultura de denúncia de casos de violência contra a criança, aconselhando-as a manterem-se distantes de pessoas estranhas.

Revista Destemidos