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Movimentação de pessoas com e sem máscara facial na rua 25 de Março, em São Paulo, no Brasil, em 8 de março de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 28.05.2022

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Vírus “primo” da varíola original deixou de estar restrito ao continente africano e já foi detectado em pelo menos 19 países, incluindo a vizinha Argentina. Segundo epidemiologista consultada pela Sputnik Brasil, falta de estratégia no país contra a doença é preocupante.

O Ministério da Saúde da Argentina confirmou, nesta sexta-feira (27), o primeiro caso da chamada varíola dos macacos, doença comumente encontrada na África que, há algumas semanas, passou a registrar transmissão local na Europa e na América do Norte.

De acordo com o jornal argentino Clarín, há um segundo caso suspeito no país, não relacionado ao primeiro. O ministério informou que ainda espera resultados do sequenciamento genômico para identificar se a cepa do vírus é a mesma da que está em circulação na Europa.

Após erradicar a varíola humana nos anos 1970, o Brasil agora parece viver o risco iminente da chegada da nova variante da doença. Mas o país está preparado para uma eventual nova crise sanitária, ainda em meio à pandemia de COVID-19?

Representação abstrata do vírus causador da varíola dos macacos (imagem de referência) - Sputnik Brasil, 1920, 28.05.2022

Representação abstrata do vírus causador da varíola dos macacos (imagem de referência)

Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o momento é de preocupação. Ela lembra que o Brasil não produz mais vacinas contra a varíola e não tem feito investimentos no setor.

A especialista explica que a doença do século passado era causada por um “vírus primo” da varíola do macaco. E na realidade, esta cepa, apesar de identificada em macacos, é oriunda de pequenos redores que habitam florestas tropicais africanas.

A letalidade da varíola atual é mais baixa. Enquanto a original tinha mortalidade em torno de 30% dos casos de infecção, a dos macacos é uma versão mais branda, mas longe de ser desprezível, que vitima cerca de 3% dos contaminados.

“Esta é uma mutação do vírus, que se adaptou melhor à espécie humana. Assim, o vírus ficou mais transmissível de humano para humano. A doença estava restrita ao continente africano e relacionada a pessoas que viajavam [para países africanos] ou que transmitiam para outras, mas sempre em conexão com a África. Não é o que ocorre agora”, aponta Maciel, lembrando que já há confirmação de transmissão comunitária no Reino Unido, sem qualquer relação com o continente africano.

Até a última terça-feira (24), a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou 131 registros de varíola dos macacos e outros 106 casos suspeitos desde o relato da primeira infecção, em 7 de maio, conforme noticiado pela CNN Brasil. Os casos foram detectados em 19 países diferentes, onde a doença não é considerada endêmica, segundo o órgão.

Revista Destemidos.