Uma cerimónia político-cultural alusiva ao Dia da Libertação da África Austral, comemorado a 23 de Março, teve lugar no Salão de Nobre do Centro Recreativo “Club Habana”, na capital de Cuba.

A actividade, organizada pelo corpo diplomático dos países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) residente em Havana, reuniu embaixadores e outros diplomatas africanos e de demais países acreditados em Cuba.

Angola foi representada pela embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, acompanhada pelos diplomatas da Missão Diplomática neste país.

Participaram, pela parte cubana, os vice-ministros das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), Ramón Espinosa Martín e Jesús Manuel Burón Tabit, os presidentes do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), Fernando González Llort, e da Asociação Cuba África, Víctor Dreke, para além de outras entidades civis e militares.

Na ocasião, o general de brigada Miguel Lorente León, veterano combatente internacionalista cubano e participante da batalha do Cuito Cuanavale, lembrou que Cuba apostou todos os seus recursos humanos e materiais para conseguir a vitória sobre as forças racistas sul-africanos. 

Enalteceu a coragem dos seus camaradas de luta, sublinhando: “Podemos dizer com orgulho que os nossos combatentes voltaram a Cuba de cabeça erguida, e o seu único lucro foi a amizade dos povos africanos e a convicção de que cumpriram o seu dever internacionalista”.

Por seu lado, o embaixador da Namíbia em Cuba, Samuel Hendrik Côagoseb, expressou o seu agradecimento ao povo e governo cubanos pelo contributo solidário nas lutas pelas independências dos países africanos.

Disse ter havido duas datas dignas de registo na história desse movimento de libertação africano, destacando o 27 de Março de 1976 e o 23 de Março de 1988.

“As duas datas representaram derrotas inflingidas ao exército sul-africano. Nos dois eventos, Cuba teve uma participação fundamental. Devemos muito ao heróico povo cubano e ao seu Comandante-em-Chefe, Fidel Castro”, realçou.

Por seu lado, a embaixadora angolana recordou a personalidade histórica de Fidel Castro, o elevado grau de solidariedade com os mais necessitados e a grandeza do seu contributo nas lutas pelas independências africanas.

“Fidel uniu os filhos de Cuba com os filhos de África”, disse, reconheceu Maria Cândida Teixeira, lembrando que há 45 anos, nessa mesma data, aconteceu a primeira visita de Fidel Castro a Angola, para inspecionar o estado das tropas cubanas que já estavam a combater no território angolano.

A apresentação do conceituado trovador cubano Raúl Torres, que interpretou uma canção dedicada ao comandante-em-chefe Fidel Castro, e a projecção de um filme sobre a Batalha do Cuito Cuanavale animaram o momento cultural do acto.

A 23 de Março assinala-se a vitória na histórica Batalha do Cuito Cuanavale, em que as extintas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), com a decisiva participação de combatentes internacionalistas cubanos derrotaram as tropas do regime do apartheid da África do Sul.

Essa vitória garantiu a integridade territorial de Angola, viabilizou a independência da Namíbia e contribuiu para o fim do apartheid na África do Sul, possibilitando a libertação de Nelson Mandela.

Revista Destemidos