O ministro da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria afirmou, ontem, que as celebrações do 34º aniversário da Batalha do Cuito Cuanavale e quarto da Libertação da África Austral, deve servir de inspiração para a população e à juventude, em particular, na preservação da paz e das conquistas alcançadas na SADC, conseguidas à custa de muito sangue e suor.

Governante destacou, ontem, a importância das futuras gerações se orgulharem do passado

João Ernesto dos Santos “Liberdade”, que presidiu o acto central da efeméride, apontou o 4 de Abril, Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, a realização das eleições em Agosto próximo, o 17 de Setembro, data do Fundador da Nação e os festejos da Independência Nacional, como as principais celebrações das quais os angolanos se devem orgulhar.

Acrescentou que os angolanos devem mobilizar-se para participarem com patriotismo e entusiasmo nas efemérides, com sentimento de amor ao próximo, civismo e com sentido patriótico para que os heróis, nacionalistas, antigos combatentes e a população que, desde o 4 de Fevereiro, até à assinatura dos acordos de paz sempre sofreram com as consequências da guerra e se possam sentir honrados.

O ministro disse que os acontecimentos da Batalha do Cuito Cuanavale devem ser permanentemente transmitidos à juventude angolana e africana, para que saibam as razões pelas quais os combatentes tanto se sacrificaram e derramaram o sangue e suor para defender o povo da invasão perpetrada pelo exército do regime do Apartheid.  

“É necessário que as futuras gerações se orgulhem das nossas narrativas e possam reflectir sobre elas, com orgulho pelo facto do desempenho ter sido um valioso contributo no processo da conquista e preservação da Independência de Angola, liberdade, paz e reconciliação nacional, para as democracias multipartidárias vigentes nos países da África Austral”, referiu.

Citou o Triângulo do Tumpo, na localidade de Samaria, onde ocorreram as maiores confrontações entre as FAPLA, apoiadas pelas Forças Revolucionárias de Cuba e das SADF, designação do exército sul-africano, auxiliadas por milhares de guerrilheiros da Unita, como um elemento essencial de estudo, devido à dimensão histórica que teve no desfecho, apontada como a maior disputa militar jamais vista em África, após a Segunda Guerra Mundial.

Reiterou que, por esta razão, a juventude angolana é, uma vez mais, chamada a reflectir sobre as guerras como “fenómenos que devem ser evitados, porque quando nos recordamos que poderíamos as ter evitado, pelas consequências das perdas de vidas humanas e da destruição das infra-estruturas que tudo isso acarreta e o custo de centenas de milhões de kwanzas que poderiam ser investidos no melhoramento do modo de vida das populações”.

“A Batalha do Cuito Cuanavale foi de vida ou morte, porquanto visou travar o avanço das forças do Apartheid que pretendiam ampliar e perpetuar o reinado na África do Sul e na Namíbia, com influência em todos os Estados da região Austral”, disse o ministro da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria.

Sistema de Ensino

O governador da província do Cuando Cubango, José Martins, defendeu a necessidade da introdução da história da Batalha do Cuito Cuanavale, no Sistema de Educação em Angola para que as novas gerações conheçam o percurso dos “bravos heróis no seu contributo para a paz no país e em toda a região da SADC”.

Considerou importante que todos os angolanos, em especial os jovens, conheçam esta história e compreendam o quanto custou o alcance da liberdade e da democracia.

José Martins disse que a consagração do 23 de Março, como data de Libertação da África Austral, oferece ao povo angolano, em particular ao do Cuando Cubango, motivos de muito orgulho, pelo facto dos benefícios alcançados não servirem apenas Angola ou a  província, mas, sim, para toda a África Austral.

Disse que a vontade de realizar palestras, conferências e ciclos de interesse sobre a Batalha do Cuito Cuanavale deve ser uma acção permanente, no sentido de capacitar e elevar o nível de conhecimento e a eficácia do intelecto humano, garantindo o enquadramento dos jovens e adultos na vida política, económica e social do país e da África Austral.

“Assim, devemos pugnar pelo fortalecimento da unidade nacional para a edificação de uma sociedade mais justa e solidária, combatendo todas as tendências que pretendam dividir os angolanos na base de preconceitos, como o tribalismo, o racismo ou regionalismo, atitudes que só nos enfraquecem e atrasam o progresso do país”, observou o governador José Martins.

Maior dignidade

O presidente do Fórum dos Combatentes da Batalha do Cuito Cuanavale (FOCOBACC), tenente-general António Valeriano, disse que chegou o momento de se tomar medidas legislativas que permitam o reconhecimento da associação como instituição de utilidade pública com autonomia patrimonial e financeira.

Defendeu ainda a necessidade de se institucionalizar o título de Herói da Batalha do Cuito Cuanavale por diploma legal, aprovado pela Assembleia Nacional e reformar os soldados e oficiais devidamente reconhecidos pelos órgãos de pessoal e quadros para acesso à inserção na Caixa de Segurança Social das FAA.

Acrescentou deve ser apoiada com medidas institucionais próprias, o estabelecimento de parcerias entre o FOCOBACC e as associações congéneres da África Austral. No âmbito das infra-estruturas, defendeu que a necessidade de possuir instalações próprias para garantir o normal funcionamento das diferentes áreas administrativas da sede nacional e das representações provinciais da associação.

Realçou que no âmbito da assistência social, é preciso definir-se políticas que permitam a priorização dos filhos dos membros do FOCOBACC no acesso ao ensino nos estabelecimentos de ensino militar, garantir a assistência médica e medicamentosa aos membros e famílias nas unidades hospitalares das FAA.

“O foco continua a ser a valorização dos protagonistas da Batalha do Cuito Cuanavale, através de acções que contribuam na promoção e incentivo do associativismo corporativo e a integridade económica e social, fundamentalmente no sector Agropecuário, incluindo as dezenas de viúvas e filhos dos heróis tombados”, concluiu.

Revista Destemidos