Um estudo da universidade chinesa Fudan indicou que Angola é o país do mundo em que o serviço da dívida para credores chineses vai ter, este ano, maior peso na despesa pública.

Opaís africano vai destinar quase 5% do produto interno bruto (PIB) para pagar juros e amortizar empréstimos contraídos anteriormente a entidades chinesas, de acordo com o relatório divulgado pelo Centro de Finanças e Desenvolvimento Verde da Universidade Fudan, uma das mais prestigiadas universidades chinesas, em Xangai.

De acordo com a agência de notação financeira Standard & Poor’s, Angola deve cerca de 21 mil milhões de dólares (17,7 mil milhões de euros) à China. O petróleo serve como garantia das linhas de crédito negociadas com Pequim.

O estudo da Fudan mostrou que, ao todo, os países mais pobres do mundo vão pagar, este ano, cerca de 13,7 mil milhões de dólares (12,4 mil milhões de euros) a credores chineses, ou 26% do conjunto do serviço da dívida destes países.

O relatório, elaborado por Mengdi Yue e Christoph Nedopil Wang, referiu que o montante dos empréstimos da China aos países em desenvolvimento só é superado pelo da Associação Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial.

A carga da dívida coletiva enfrentada pelos 68 países de rendimento baixo aumentou 12%, para um recorde de 860 mil milhões de dólares (782 mil milhões de euros), em 2020.

Em comparação com 2015, o número de países que mostram sinais de sobreendividamento duplicou.

A China é o maior credor de 17 países, a par do Banco Mundial, segundo o mesmo estudo.

Como o principal credor de 17 países de renda baixa, a China “tem mais responsabilidade e oportunidades de fornecer apoio bilateral e multilateral à reestruturação da dívida do que outros países”, escreveram os autores do relatório.

Revista Destemidos.

G.G.M.Â