A União Europeia (UE)“é demasiado dependente do gás e petróleo russo para cortar o vínculo já amanhã,” considerou, esta segunda-feira, o Primeiro-Ministro dos Países Baixos, Mark Rutte.

Rutte defende que a UE tem de se preparar primeiro para deixar de comprar petróleo russo © Fotografia por: DR

“Demasiadas refinarias no Oriente e Ocidente da Europa ainda dependem completamente do petróleo russo, e com o gás é ainda pior”, disse o responsável, depois do encontro com o Presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, citado pela Reuters.

“Teremos de nos desfazer dessa dependência. Teremos de o fazer o mais rapidamente possível, mas não o poderemos fazer amanhã”, considerou.

Também o vice-Primeiro-Ministro da Rússia, Alexander Novak, afirmou, ontem,  ser impossível para a Europa ‘largar’ o gás russo neste momento, avisando que o preço do petróleo pode chegar aos 300 dólares por barril, caso o petróleo russo seja “banido” do Ocidente, reporta a agência TASS. Na mesma linha, o Presidente ucraniano, Volodymyr Ze-lensky, apelou, ontem, ao bloco europeu, em particular a Alemanha, para cortar as relações comerciais com a Rússia e recusar todos os seus recursos energéticos.

“Não pode haver euros para os ocupantes, fechem todos os vossos portos, não lhes enviem os vossos bens, recusem os recursos energéticos da Rússia”, pediu Zelensky, numa mensagem difundida através da rede social Telegram.

 Moscovo prepara venda de mais petróleo à China

A Rússia está a trabalhar com o Cazaquistão num acordo para transportar mais petróleo russo para a China, através daquele país da Ásia Central, tentando assim ultra-

passar eventuais sanções da União Europeia neste sector, revelou, ontem,  o vice-Primeiro-Ministro russo.

Alexander Novak disse à imprensa, depois de se reunir com o grupo parlamentar da Rússia Unida, o partido que apoia o Kremlin, que o contrato para o trânsito do petróleo russo para a China através do Cazaquistão foi recentemente alargado e foi criado um grupo de trabalho para concretizar esse aumento do transporte, segundo a Interfax.

A questão da diversificação das exportações de hi-drocarbonetos para a região Ásia-Pacífico “é realmente actual, já que ouvimos falar de preparativos para um novo pacote de sanções” por parte do Ocidente, declarou o vice-Primeiro-Ministro russo.

Kremlin avisa: Embargo “irá atingir a todos”

O Kremlin alertou, ontem,  para as consequências  de um embargo europeu às importações de petróleo russo,  sustentando que “vai prejudicar seriamente o equilíbrio energético na Europa, e irá  atingir todos”,  numa altura em que a União Europeia estuda a possibilidade de novas sanções contra Moscovo.

“De facto, como sabemos, a questão do embargo ao fornecimento de petróleo está a ser activamente discutida”, disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, na conferência de imprensa diária.

O porta-voz russo sublinhou que se trata de “uma questão muito complexa, porque tal embargo terá uma influência muito séria no mercado mundial de petróleo bruto e prejudicará seriamente o equilíbrio energético no continente europeu”.

“Os norte-americanos não irão perder nada, é óbvio, e vão sentir-se muito melhor do que os europeus”, disse Peskov.

O porta-voz russo acrescentou que, no caso de um embargo às importações russas de petróleo, “os europeus terão dificuldades.Ou seja, é uma decisão que atingirá todos”, sublinhou.

De acordo com o chefe da Diplomacia dos “27”, Josep Borrell, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE planeiam examinar  as sanções contra o sector petrolífero russo devido à invasão da Ucrânia.

Revista Destemidos.

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