Os dezasseis países membros da SADC celebram, pela quarta vez consecutiva, o 34º aniversário da Batalha do Cuíto Cuanavale, ocorrida na localidade angolana com o mesmo nome, no dia 23 de Março de 1988 e que abriu caminho para Independência da Namíbia, a libertação de Nelson Mandela e a abolição do regime de Apartheid na África do sul.

Durante um encontro dos Chefes de Estados e de Governo, em Windhoek, Namíbia, em Agosto de 2018, os  dezasseis países membros da SADC aprovaram por unanimidade o dia 23 de Março como Dia da Libertação da África Austral, tendo em conta a dimensão histórica da guerra travada no Triângulo do Tumpo entre as  extintas FAPLA e o exército do regime do Apartheid.

Embora o feriado regional seja assinalado anualmente,  os países da região entendem que as celebrações da efeméride com a participação de delegações dos Estados- membros da SADC e de outros países estrangeiros que participaram na batalha devem ocorrer apenas a cada cinco anos, ou seja, nos 35 anos da efeméride, em 2023, o Cuito Cuanavale vai receber várias delegações estrangeiras.  Para homenagear os efectivos das FAPLA, a população e todos os que directa ou indirectamente participaram na operação militar “Saudemos Outubro”, o Governo angolano construiu em homenagem o Memorial a “Vitória da Batalha do Cuito Cuanavale”,  uma imponente infra-estrutura que já recebeu dezenas de turistas e cadetes das academias militares dos 16 países membros da SADC.

No conjunto escultório feito de bronze, num espaço de 50 metros de comprimento, estão gravados os três momentos sequenciais da Batalha do Cuito Cuanavale, nomeadamente o momento que retrata a concentração das unidades militares das FAPLA, a caminhada rumo à vitória e as unidades em defesa da vila, fracassada a tentativa de ocupação de Mavinga e Jamba ,que eram os principais alvos durante a operação.

A denominada parede dos heróis ocupa uma faixa de 75 metros de comprimento. As esculturas em bronze simbolizam a homenagem aos militares das FAPLA, a educação patriótica, a guerra, a destruição, o sofrimento da população  do Cuito Cuanavale, a firmeza e a determinação dos angolanos na vitória.

Adjacente ao memorial está o museu a céu aberto, onde está exposto todo o material bélico usado pelas FAPLA durante os combates, com realce para os tanques de guerra BMP-1 e 2, peças de artilharia de 130, D-30 e 76 milímetros, aviões de combate Mig-23 e 21, peças anti-aérea ZU-23, metralhadoras do tipo PKM,  dentre outros equipamentos militares.

Reconstituição da batalha

O grupo técnico da Comissão Multissectorial para a Salvaguarda do Património Cultural Mundial está a criar condições técnicas  para a reconstituição da ofensiva,  bem como a recolha de documentos, elementos fundamentais para dar suporte à candidatura da sede municipal do Cuito Cuanavale como Património Mundial da Humanidade.

De acordo com o tenente-general Fernando Mateus, membro do grupo técnico, a UNESCO já aceitou a proposta apresentada pelo Ministério da Cultura, mas para que a candidatura seja aprovada  é necessário juntar-se uma série de elementos científicos, e um deles é a reconstituição das diferentes facetas da Batalha do Cuito Cuanavale.

Realçou que o grupo técnico deverá, proximamente, documentar a preparação da operação “Saudemos Outubro”, e como as distintas unidades das FAPLA avançaram, desde o Triângulo do Tumpo até às margens do rio Lomba, onde foram travadas pelo exército sul-africano, detalhando ao pormenor o retrocesso das tropas até às margens dos rios Cuito e Cuanavale, onde se travou a grande batalha, no dia 23 de Março de 1988.

Para a reconstituição da Batalha do Cuito Cuanavale, o grupo técnico deverá, também, deslocar-se a outros países como Cuba, Namíbia, África do Sul e outros que acharem necessários, para a recolha de depoimentos e documentos,  que a par do Memorial, vão constituir os elementos de peso para a sua admissão pela UNESCO.

 O tenente-general Fernando Mateus defende que os trabalhos devem iniciar já, enquanto alguns ex-militares que participaram directamente nos combates  ainda estão vivos, para que sejam eles mesmos, na primeira pessoa, a narrarem os factos como aconteceram, desde  Chambinga até ao rio Lomba.        

O Triângulo do Tumpo, local em que ocorreram os últimos confrontos da Batalha do Cuito Cuanavale, foi classificado de Sítio Histórico Nacional, de acordo com o decreto do Executivo número 02/18 de 22 de Março.

No mesmo decreto, o Presidente da República, João Lourenço, orientou às entidades competentes da Administração Local do Estado para a tomada de medidas visando a efectiva protecção e valorização do património.

Ministro de Esta do preside ao acto central

O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, preside hoje, no Cuito Cuavale, o acto central do 34º aniversário da batalha,  sob o lema “Honra e Glória à Memória dos Libertadores da África Austral”.

De acordo com o programa, após à chegada ao memorial Francisco Furtado vai depositar uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido e assistirá, de seguida, o hastear da Bandeira da República.

O programa reserva ainda a leitura da mensagem de boas vindas do governador da província do Cuando Cubango, José Martins, do presidente do Fórum da Batalha do Cuito Cuanavale, tenente-general António Valeriano, seguindo-se o discurso do presidente do acto, que deverá culminar com um momento cultural e um almoço de confraternização.

Por causa da pandemia da Covid-19, o acto central será realizado sob fortes medidas de biossegurança, devendo contar com a presença da população local, ex-militares das FAPLA, membros do Fórum dos Combatentes da Batalha do Cuito Cuanavale (FOCOBACC), dentre outros convidados.

Lourenço Manuel 

Revista Destemidos.

G.G.M.Â