Venâncio Victor|Malanje

Jornalista

O país aposta forte na cadeia de valor do milho tida como uma das principais culturas alimentares da população e que regista, actualmente, um défice de produtividade na ordem de três milhões de toneladas, revelou quarta-feira última, o director-geral do Instituto de Investigação Agronómica.

João Neto, que falava à margem do encerramento do XXVII conselho científico do Instituto de Investigação Agronómica, disse que a nível da cadeia de valor esta é das culturas em que mais o Governo aposta por contribuir muito para a alimentação geral das populações, a par das leguminosas.

O responsável fez saber que durante os três dias de conselho científico estiveram em discussão as principais cadeias de valor produtiva, designadamente mandioca, milho, feijão e soja.

“Em minha opinião, nós temos algumas culturas em que estamos mais ou menos bem, como a mandioca, em que para a alimentação humana conseguimos cobri-la, mas agora temos um grande défice a nível dos cereais, pois a nossa luta hoje está em conseguirmos milho suficiente para a alimentação humana e animal, para ração animal e para a aquicultura”, disse.

O director-geral do Instituto de Investigação Agronómica explicou ainda que para além do Projecto de Produtividade Agrícola para a África Austral (APPSA), financiado pelo Banco Mundial com investimento de 25 milhões de dólares, num período de execução de seis anos. Constam ainda outros projectos como a SAMAP, financiado pelo FIDA e Banco Mundial, o Programa de Desenvolvimento da Agricultura Comercial, também financiado pelo Banco Mundial e o Programa de Desenvolvimento local na província de Cabinda apoiado pelo sector petrolífero. Este também participa no apoio ao Instituto de Investigação agronómica com um investimento de 1 milhão de dólares.

Segundo João Ferreira Neto, o conselho contou com a presença de investigadores de 11 estações experimentais agrícolas, referindo que desde o tempo colonial o Leste do país é o que sempre esteve mal servido em termos de investigação agronómica.

Na ocasião, apontou as províncias das Lundas Norte e Sul, Moxico e Huambo como  as que estão desprovidas dos serviços de investigação agronómica e que, brevemente, esses serviços vão ser estendidos para aquelas zonas do país, que produzem também mandioca de boa qualidade.

Referiu ainda que o país se debate com o défice de técnicos devido à falta de admissões na Função Pública e que por esse facto na eventualidade do surgimento de alguns projectos a alternativa tem sido a contratação de alguns técnicos nesse momento, o Instituto de Investigação conta com 21 doutores, 17 mestres e mais de 40 técnicos superiores e que no mínimo são necessários mais de 300 técnicos qualificados, dentre técnicos superiores e mestrados. Ainda assim, com o pouco que a instituição possui, tem sido possível dar respostas às exigências impostas.

O conselho técnico visou traçar as estratégias que vão fazer com que o Instituto de Investigação Agronómica consiga trabalhar de forma exaustiva na produção de sementes de qualidade, na análise de solos e sais multi-locais que vão ajudar no aumento da produtividade das sementes e das culturas. O grande problema da agricultura angolana, segundo João Neto, não se prende com a área cultivada, mas com a baixa da produtividade das culturas.

“De uma forma geral o conselho científico realizado em Malanje foi um sucesso porquanto conseguimos abordar de forma exaustiva o caminho a percorrer em termos de investigação agronómica”, disse.

Governantes manifestam alinhamento com os vários programas

O secretário de Estado para a Agricultura e Pecuária, João Bartolomeu da Cunha, afirmou que a realização recente do conselho científico, em Malanje, esteve alinhada ao relançamento do sector agrário, por constituir prioridade nas estratégias de desenvolvimento do Executivo, principalmente no que o aumento da produtividade agrícola e da diversidade da economia, diz respeito.

João da Cunha fez saber que o projecto de Produtividade Agrícola para a África Austral foi aprovado em 2018, tornando-se efectivo em Janeiro de 2020,  para um período de 6 anos da sua execução, e que tem como objectivo, aumentar a disponibilidade de tecnologias agrícolas  da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, sendo financiado com 25 milhões de dólares norte-americanos.

O governante destacou a importância do encontro tendo em conta os resultados preliminares dos projectos de investigação e desenvolvimento que estão a ultrapassar os factores adversos do desenvolvimento socioeconómico por conta dos efeitos globais da Covid-19.

Já o vice-governador para o sector Político, Social e Económico, Domingos Eduardo, disse que o desafio da diversificação da economia   passa pelo sector agro-pecuário que constitui a base para o desenvolvimento do país. Domingos Eduardo realçou que a investigação científica desempenha um papel importante para o desenvolvimento da agricultura, pós, é através dela que o país poderá mudar o quadro da dependência da importação de sementes melhoradas,  tendo referido que um outro elemento fundamental tem a ver com  a informação sobre os tipos de solos,  bem como as necessidades de fertilização e correcção da acidez dos mesmos.

Afirmou que a investigação científica contribui para o aumento da produtividade principalmente das principais culturas do país e consequente aumento da disponibilidade alimentar. De acordo ainda com o vice-governador, a implementação de projectos com uma forte componente investigativa, no caso, o Programa de Produtividade Agrícola para a África Austral (APPSA), os Projectos de Desenvolvimento da Agricultura Familiar,  Desenvolvimento da Agricultura Comercial  são um sinal da preocupação do Executivo em melhorar o actual quadro do sector agro-pecuário.

Apesar disso, o governante destacou os esforços que devem ser feitos no sentido de melhorar a capacidade de intervenção das Estações Experimentais Agrícolas e Zootécnicas, dotando-as de recursos humanos e técnicos. Tudo isso visa corresponder a procura e apoiar os sectores produtivos familiares e empresariais.

Programa

Três milhões de dólares é o valor estimado para operacionalizar o Centro Regional de Liderança da Mandioca da SADC, a ser lançado dentro de três meses em Malanje, para fortalecer a investigação da cultura e dinamizar a sua cadeia de valor.

A informação foi prestada pelo coordenador do Programa de Produtividade Agrícola para a África Austral (APPSA), Joaquim César, por ocasião da abertura do  27º Conselho Científico do Instituto de Investigação Agronómica (IIA), que decorreu, recentemente, em Malanje.

O responsável disse estarem em curso preparativos para o lançamento do referido centro, que vai dispor de um complexo de investigação com laboratórios, estufas e outras dependências, suportada por 50 técnicos do Instituto de Investigação Agronómica (IIA).

Conforme avançado, o Centro Regional de Liderança da Mandioca da SADC faz parte do Programa de Produtividade Agrícola para a África Austral (APPSA), que arrancou em 2020 e que tem a mandioca como cultura principal.

Já o APPSA, orçado em 25 milhões de dólares, tem como eixo principal a geração e disseminação de tecnologia, estando já em curso oito subprojectos para a melhoria do sistema de cultivo e consequente transformação voltados a sementes melhoradas.

Segundo fez saber Joaquim César, actualmente, estão em execução oito projectos de diferentes áreas de investigação e desenvolvimento que incluem as culturas chave como a mandioca, milho e feijão, principalmente.

O coordenador do Programa de Produtividade Agrícola para a África Austral destacou ainda a existência de outras áreas transversais à tecnologia.

Revista Destemidos.

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