O General Paulo Lara morreu, esta terça-feira, por doença, na cidade do Porto, em Portugal, informou em comunicado a Associação Tchiweka de Documentação (ATD).

“É com muito pesar que a Associação Tchiweka de Documentação (ATD) comunica a todos os seus associados e amigos o falecimento de um dos seus fundadores e principais impulsionadores das actividades da associação, Paulo Lara, ocorrido a 22 de Março em Portugal”, lê-se no comunicado a que o Jornal de Angola teve hoje acesso.

De acordo com a associação, as cerimónias fúnebres realizar-se-ão em Luanda, em data a anunciar. 

Filho de Ruth e Lúcio Lara (dirigente da luta de libertação) cresceu no meio nacionalista angolano e estudantil do Congo-Brazzaville. Tinha 19 anos em 1975.

Biografia

General da Forças Armadas Angolanas, era filho de Lúcio Lara, um dos dirigentes da luta de libertação de Angola e de Ruth Pflüger Lara. A infância foi passada com os pais no exílio, nomeadamente no Congo-Brazzaville, onde fez os estudos primários e secundários.

Desde cedo conviveu com guerrilheiros e militantes do MPLA no Congo e desde 1970 acompanhou o pai e outros combatentes a zonas da 2ª Região Militar (Cabinda) e da 3ª Região (leste de Angola). A partir de Abril de 1972 foi enquadrado nas forças guerrilheiras do MPLA, e teve os seus primeiros combates nas áreas de Sanga-Planície e ataque ao quartel português de Miconge (Cabinda).

No período 1974-1975, já em Luanda, participou na “Batalha de Luanda”, em Julho, contra a FNLA e nos combates antes e logo após a Independência. Continuou a carreira militar, tendo feito formação especializada em Cuba (1975-1976) e na ex-União Soviética (1981-1985).

Desempenhou diversos cargos na hierarquia militar, com acções no terreno de batalha mas também a nível de análise e estratégia e na reestruturação das Forças Armadas. De 1989 a 1991, já Tenente-Coronel, foi Chefe Adjunto da Direcção de Operações do Estado-maior General.

Após 1991, com o fim da guerra e do regime monopartidário, Paulo Lara fez parte da Subcomissão militar das FAPLA para formação das Forças Armadas Angolanas. Com a patente de Tenente-General foi nomeado Chefe da Divisão de Operações do Estado-Maior General. Com o retorno à guerra em 1992, veio a ser Chefe da Divisão de Planeamento e Organização do Estado-maior General e nos anos seguintes cumpriu várias missões, não só em Angola (“Operação Restauro”, “Operação Hexágono”, “Operação Triângulo”) como na RDC (Lubumbashy e Kinshasa) e na República do Congo (Brazzaville).

Promovido a General em 2003, optou por interromper a sua actividade militar para concluir o curso de Relações Internacionais. Dedicou-se sobretudo à recolha de documentação e testemunhos sobre a luta pela independência de Angola, sendo co-fundador e um dos principais impulsionadores da Associação Tchiweka de Documentação (ATD).

Dirigiu o Projecto “Angola – Nos Trilhos da Independência” da ATD, com a colaboração da produtora audiovisual Geração 80, e foi coprodutor do Documentário “Independência” (Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2016). Participou em Conferências relacionadas com História da Luta de Libertação nomeadamente em Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Timor Leste e Portugal.

Nos últimos anos, investiu grande parte do seu tempo na criação do Portal da Associação Tchiweka de Documentação para consulta livre de documentos, fotografias, filmes e entrevistas sobre a Luta de Libertação Nacional (www.tchiweka.org). Paulo Lara teve dois filhos, Tchiloia (1980) e Gika (1985) e vivia maritalmente desde 1990 com Cristina Pinto.

Revista Destemidos

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