Weza Pascoal | Menongue

Jornalista

Pelo menos, 367 membros da comunidade Khoisan, residentes nas localidades do Tandawe, Mucundi, Ntopa, Cavindele, Bundo e Jamba Cueio, no município de Menongue, província do Cuando Cubango, beneficiaram, durante o ano passado, de registo de nascimento gratuito e de atribuição do Bilhete de Identidade.

A directora provincial da Acção Social, Família e Igualdade de Género, Aida Rosalina Manuel, disse que o Sector da Justiça atribuiu, durante o ano passado, cédulas, assentos de nascimento e Bilhetes de Identidade a 367 khoisan, para permitir a sua identificação como cidadãos nacionais e garantir a sua participação activa na vida económica e social da província do Cuando Cubango.

Aida Rosalina Manuel fez saber que, no âmbito do processo de socialização do povo khoisan, está em curso a construção de 40 casas de adobe, com cobertura de chapa e capim temperado, nas localidades de Fulay Muti e do Baixo Longa, no município do Cuito Cuanavale, para que a comunidade abandone a vida nómada.

Explicou que as casas estão a ser erguidas de acordo com a realidade do povo khoisan, tendo em conta que, nos anos anteriores, foram construídas algumas moradias modernas na localidade de Dumbo, em Menongue, mas, num curto espaço de tempo, a comunidade contemplada destruiu-as por completo, arrancando as portas, as janelas e a cobertura.

“Percebemos que cometemos um erro grave construindo aquelas casas, porque os khoisan não se adaptaram ao novo modo de vida, eles não estavam acostumados a viver naquelas condições, por isso estamos a adequar as construções de acordo com a sua realidade, mas junto das sedes comunais ou aldeias, para que, aos poucos, comecem a se acostumar com a forma de viver da comunidade bantu ”, disse.

Acrescentou que o Governo Provincial continua a desenvolver acções de sensibilização no seio da comunidade khoisan, no sentido de aderirem à actividade agrícola nas localidades onde residem. Durante o ano passado, referiu, a Administração Municipal de Menongue preparou dois hectares para o cultivo de produtos diversos e distribuiu inputs agrícolas (sementes e fertilizantes) aos vassequeles, como também são designados na região.

“Infelizmente, 60 por cento das famílias que receberam as sementes acabaram por consumílas, comprometendo o cultivo”, disse Aida Rosalina Manuel.  Deu a conhecer que o processo de socialização deste povo não é uma tarefa fácil, porque são nómadas e estão acostumados à caça e à recolecção de frutos silvestres, “por isso continuamos a sensibilizá-los para, que aos poucos, se adaptem às novas medidas para a gestão daquilo que conseguem, assim como a prática da agricultura para o seu auto-sustento e das suas famílias”. 

Segundo a directora provincial da Acção Social, Família e Igualdade de Género, um grande número de khoisan já se dedica à agricultura e à criação de animais de pequeno porte e as famílias que perderam o seu cultivo, por causa da seca, cheias e praga de gafanhotos, têm sido ajudadas pelos Gabinetes Municipais de Combate à Pobreza, através dos programas de apoio às calamidades naturais.

Aida Manuel explicou que, apesar da situação difícil que o país vive, a comunidade khoisan tem merecido assistência especial nos restantes municípios, onde os Gabinetes Municipais da Acção Social, Família e Igualdade de Género, dentro das suas políticas e possibilidades, têm feito a distribuição de comida, roupa e outros meios para minimizar as suas carências.

Sem avançar números, disse que um dos grandes ganhos no processo de reintegração dos camussequeles é a integração dos adultos e crianças no processo normal de ensino e aprendizagem, sendo já possível encontrar pessoas deste grupo que saibam ler, escrever e se comunicar através da língua portuguesa.

“Por enquanto estas pessoas não precisam de escolas infra-estruturadas como tal, porque na realidade este povo ainda é nómada, apesar de já ter sido inserido em algumas zonas fixas, onde recebe aulas em capelas ou debaixo de árvores”, realçou.

Referiu que, até 2019, o Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade de Género tinha o registo de aproximadamente 7.800 integrantes desta comunidade, distribuídos nos municípios de Calai, Cuangar, Cuito Cuanavale, Dirico, Menongue, Mavinga, Nancova e Rivungo.

“Neste momento decorre o processo de actualização, para se saber o número real da população khoisan que reside no território do Cuando Cubango”, sublinhou.

Revista Destemidos

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