Luanda – O especialista angolano em Petróleo e Gás, Patrício Quingongo, antevê que a receita líquida, com da exportação de crude, atinja os 15 mil milhões de dólares, caso o preço se mantenha nos USD 99, o barril, até o final deste ano.

Plataforma petrolifera da Total

Olhando para o que foi  projectado no OGE 2022, com base no barril de petróleo ao preço de USD  59, o barril, diz que o país busca  um excedente entre seis a sete mil milhões de dólares.

Refere que as receitas petrolíferas do Estado resultam dos barris de petróleo de que tem direito, por dia, mais os impostos que as operadoras pagam por via da exportação de barris de petróleo.

A título de exemplo, em 2021, da receita petrolífera bruta de USD 27,28 mil milhões, resultante da exportação de 394,22 milhões de barris de petróleo, o Estado só ficou com um terço desta, cerca de USD 10,3 mil milhões, o restante foi exportado pelas operadoras.

Em declarações à ANGOP, o especialista referiu que o preço médio pode ultrapassar os USD 120, o barril, caso as tensões entre a Rússia e Ucrânia continuem nos próximos 15 dias, o que vai repercutir, positivamente, nas contas dos países petrodependentes, como é o caso de Angola.

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em Maio teve esta sexta-feira, 04 de Março, uma subida acentuada no mercado de futuros de Londres de 7,05%, para os 118,18 dólares, um novo máximo desde Agosto de 2008.

O crude do Mar do Norte, de referência na Europa, fechou no International Exchange Futures com uma subida de 7,78 dólares em relação à sessão anterior, quando terminou nos 110,40 dólares.

Este valor não era atingido desde Agosto de 2008, sendo que o ataque das forças russas a uma central nuclear ucraniana aumentou os receios das consequências da guerra na Europa, o que ajudou a elevar o preço do petróleo durante o dia.

Cálculos compilados pelo especialista dão conta que, no caso de Angola, diariamente, já está a fazer uma média  de USD 112 milhões de rendimento, com a alta do preço do petróleo no mercado internacional, influenciado pela invasão da  Rússia à Ucrânia.

Reinvestir na indústria

O  especialista Patrício Quingongo aconselha, neste  período em que os preços estão altos, tendo-se a receita acima da média, a  necessidade  de se fazer  gastos  “qualitativos” com as receitas que advém do petróleo, reinvestindo na indústria petrolífera, principalmente.

“ É preciso  que, nesta fase, o Executivo, por via da Agência Nacional de Petróleo, possa  trabalhar  com as operadoras  no sentido de se revisitar  todos os projectos de exploração que estão na mesa  para serem avançados”, defendeu.

Para o especialista, precisa-se  avançar com os  projectos do sector dos petróleos para que se garanta  uma sustentabilidade na produção e que a mesma  não   decline abaixo dos um milhão de barris por dia.

Actualmente, Angola vive um défice na oferta de petróleo, à semelhança de alguns países membros da OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Angola, da quota de produção autorizada pela organização de cerca de um milhão e 400 mil barris de petróleo por dia (bpd), só está a produzir um milhão e 118 mil barris dia.

“Não somos os maiores produtores de petróleo hoje, em África, porque ficamos 10 anos sem apostar na exploração. Angola não encontrou novas reservas de petróleo e continua a não o encontrar”, observou o especialista, defendendo, por isso, o uso das receitas para o reinvestindo no sector.

Lembrou o potencial do país em  bacias a serem exploradas e blocos que precisam de um trabalho mínimo para trazerem um adicional na linha de petróleo de Angola.

Com o actual declínio na produção, Angola está a perder cerca de sete mil milhões de dólares, segundo Patrocínio Quingongo.

Desde 2015, até este ano de 2022, Angola  deixou de produzir  cerca de 600 mil  barris de petróleo dia, tendo um impacto negativo nas contas do Estado, de acordo com o especialista.

“Se tivermos em conta o nível de producao acima de  um milhao e 700 mil barris de petroleo, teríamos  a ir  buscar 23 a 25 mil milhões de dólares, em termos de receitas liquidas”, augura Patrício Quingongo.

Concluiu ser necessário  que o Executivo  direcione um investimento, caso contrário, nos próximos cinco anos a produção poderá atingir os 500 mil barris dia.

“Estamos felizes porque o preço está alto, mas por detrás está o declínio da produção”, sublinhou.