Um portal de vagas criado pelo Instituto de Telecomunicações (ITEL) está a facilitar a ligação entre os alunos da instituição e as empresas das áreas técnica e tecnológica com disponibilidade de vagas para estágios profissionais ou curriculares.

© Fotografia por: MARIA AUGUSTA | EDIÇÕES NOVEMBRO

Pelo menos 384 candidaturas foram aceites, para estágios, através da plataforma, desde a sua criação, há quatro meses. Parte dos candidatos foi absorvida pelo próprio ITEL, que, por esse meio, testou a plataforma no primeiro mês. A outra parte por empresas do sector, como a Múltipla, o Inefor, o INACOM, o Infosi, a Startel, a Angola Telecom, a MS Telecom, a Anglobal, a GHS Serviços, Lomain Holding Group e a direcção de Telecomunicações e Tecnologias de Informação da Polícia Nacional. Até ao momento, estão inscritas no sistema 18 empresas.

A ideia do portal surgiu para corrigir uma situação que a actual direcção considerava injusta para os alunos. Segundo o director-geral, Cláudio Gonçalves, o ITEL, por ser uma instituição de referência nos cursos que ministra – Electrónica e Telecomunicações, Informática e Sistemas Multimédia – recebia solicitações de muitas empresas para a indicação dos melhores alunos para estagiar ou colaborar.

“Percebemos que este processo não era o mais justo para os alunos da instituição. Porque, normalmente, se pedir uma indicação do director, este poderá indicar alguém com quem tem mais afinidade ou alguém que conhece melhor. E num universo de mais de mil alunos, o director não consegue conhecer todos os que são bons”, justifica Cláudio Gonçalves.

Foi então criada a plataforma que permite fazer a ligação entre as instituições parceiras do ITEL (as empresas) e os alunos do ITEL. Para o efeito, disse, as empresas fazem o seu cadastro no portal, inserindo todos os dados legais, um representante e os contactos.

Os estudantes também fazem o cadastramento. No processo, são levados a preencher o modelo de um currículo. “Ficamos ali na plataforma com os dois usuários. As empresas e os alunos com os seus currículos devidamente preenchidos”, refere o director do ITEL.

Assim, quando uma empresa tiver vaga para estágio curricular ou profissional, disponibiliza-as com todas as descrições. Os alunos que estão cadastrados na plataforma são notificados de que existe a empresa X com as vagas Y e podem, caso tenham interesse, candidatar-se. A empresa recebe essas candidaturas com o currículo do estudante e, após análise, selecciona ou não o candidato.

O director do ITEL lembra que a instituição tem aproveitado o capital humano que forma. Os alunos que mais se destacam são convidados a participar num estágio e se forem bem sucedidos passam a colaborar, dando aulas ou agregado a algum projecto da escola, podendo, com o tempo, ser efectivado como colaboradores da instituição. É o caso do próprio director, que concluiu a formação em 2009 e regressou à instituição, depois da licenciatura no Instituto Nacional de Telecomunicações do Brasil.

 Dos cursos ministrados pelo ITEL, que tem 1056 alunos matriculados, o mais requisitado é o de Electrónica e Telecomunicações, seguido pelo de Informática, que têm quatro turmas cada. O menos requisitado é o de Informática e Sistemas Multimédia, com apenas uma turma para a 10ª classe.

A razão da pouca procura deste último, segundo o director, reside no facto de o público desconhecer ainda o que o curso é e quais as suas áreas de actuação. Para ultrapassar a situação, a instituição iniciou acções de divulgação do curso.

Sobre a perspectiva de ampliação das instalações do ITEL, o director garantiu que há esta intenção. Existe até um estudo de viabilidade elaborado pelo próprio Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

Cláudio Gonçalves sublinha que, apesar disso, com o apoio do Ministério de tutela, o ITEL tem conseguido manter a qualidade formativa.

“Quando não conseguimos fazer para um número maior de pessoas dentro do ITEL, passamos para outros projectos, como o Centro de Formação Tecnológica (CEFITEL), que foi construído e equipado pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, ou para projectos como o digital.ao, que surge para potenciar projectos com potencial comercial”, reforça.

O digital.ao, sublinha, além dos diversos serviços que oferece também é uma incubadora de empresas. O director diz que uma das perguntas que se ouve no final do ano lectivo, quando são expostos os projectos finais dos alunos, é como são aproveitados depois disso.

“Então, agora já temos resposta. Estes projectos podem ser agregados a uma incubadora, para daí surgir uma startup com potencial negócio que possa atender alguma solicitação do mercado”, salienta.

Centro de Formação

O ITEL direcciona parte dos professores para o Centro de Formação Tecnológica (CEFITEL), que dá formações profissionalizantes nas áreas das Tecnologias para qualquer interessado, com preços muito abaixo do mercado. Os cursos estão divididos em três grandes projectos: A Academia Cisco, uma empresa renomada, de fabricação de produtos de telecomunicações. Nesta academia, os formandos são ensinados como mexer com o equipamento da Cisco; a Academia Huawei, onde se ensina como mexer com equipamentos da Huawei, e o projecto “Eu Sei fazer”.

Este último garante que qualquer formando, mesmo que não saiba nada daquele conteúdo formativo, saia ao final do curso sabendo fazer alguma coisa.

“Vamos supor um curso de robótica. A pessoa entra sem saber o que é robótica e sai com um robot montado por ele mesmo”, assegura o director do ITEL.

Nesse mesmo projecto, são ainda ministrados os cursos de reparação de computadores e reparação de telefones celulares.

Fonte: Jornal de Angola

Revista Destemidos